
O fim da série de suspense sobre a venda da Warner Bros. Discovery, um símbolo da indústria cinematográfica, já foi anunciado várias vezes, mas o que parece conclusão sempre ganha novo episódio. O mais recente é o de nova oferta da Paramount, outro ícone de Hollywood desde seus primórdios.
O conselho de administração da Warner já rejeitou a nova proposta, revista e aumentada pela segunda vez em relação à original, mas deu prazo para apresentação de um terceiro valor. Assim, no mínimo adia, mais uma vez, até 20 de março, o final antecipado, mas não confirmado, da venda à Netflix.
Um dos motivos do "filler" (a "barriga" das séries) é óbvio: como se trata de uma disputa bilionária, quanto maior o valor, melhor. Nas teclas da calculadora, a Paramount teria alcançando um total de US$ 108 bilhões para adquirir a companhia inteira, incluindo operações de TV paga, enquanto a Netflix oferece US$ 83 bilhões só pelos negócios de cinema, televisão e streaming.
Mas há outros elementos no suspense, além do dinheiro que sempre ajuda a explicar quem é o maior interessado no mistério. A Netflix vem insinuando que a antagonista tenha recorrido a truques para ganhar vantagem na negociação. Em comunicado à imprensa, menciona "travessuras" da Paramount para atrapalhar o negócio.
Para a Netflix, a rival "tem repetidamente deturpado o processo de revisão regulatória, sugerindo que sua proposta será aprovada sem dificuldades". Em tese, o negócio entre Warner e Paramount representa concentração maior porque as empresas têm perfil mais parecido, enquanto a Netflix representa maior complementariedade.
A atual controladora da Paramount é a família Ellison, que tem ligações com o governo Trump. O sobrenome parece familiar por um bom motivo. O atual comandante da Paramount é David, filho de Larry Ellison, dono da Oracle, um dos principais financiadores da campanha de Donald Trump. E um dos negócios do grupo é a rede de TV CBS, considerada favorável ao atual ocupante da Casa Branca.




