
A Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Donald Trump a diversos países. O presidente americano reagiu e aplicou nova taxa global de 10%, que começa a ser cobrada nesta terça-feira (24). Mesmo depois do vaivém, de fato cinco dos 10 produtos mais exportados do RS para os EUA se livraram do tarifaço de 50% (veja detalhes abaixo), segundo levantamento Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).
Esses cinco bens, no entanto, ainda vão ter de pagar imposto para entrar no mercado americano. Trump chegou a elevar a taxa global para 15%, mas o que vale a partir de terça-feira (23), segundo especialistas, é o que está no decreto publicado pela Casa Branca: tarifa de 10% sobre todos os países.
Produtos como tabaco, armas, máquinas e calçados, que representaram 28,1% do total enviado do RS para os EUA em 2024 e que foram fortemente afetados pelo tarifaço de 50% em 2025, tiveram a taxação reduzida em 40 pontos percentuais. E ainda vão passar a disputar com outros países no mercado americano em igualdade de condições, porque o novo imposto de importação tem a mesma alíquota para todo o mundo.
Como a Suprema Corte dos EUA suspendeu apenas as tarifas impostas com base na Ieepa (sigla em inglês para Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), sobretaxas aplicadas com uso de outras legislações seguem valendo. São as chamadas "tarifas setoriais", que, no RS, atingem sobretudo bens ligados aos segmentos de madeira (10%), automóveis (25%) e aço e alumínio (50%).
A situação também não mudou para a pasta química de madeira usada como matéria-prima para celulose, segundo produto mais exportado do RS para os EUA em 2024, que matinha tarifa adicional zerada desde setembro. Outro item que segue isento de sobretaxas é a carne bovina, que apareceu na 17º posição na lista de 20 bens gaúchos mais enviados ao mercado americano no ano retrasado, com embarques não distorcidos por conta de medidas de Trump.
O presidente dos EUA usou a seção 122 do Código Comercial de 1974 para aplicar a nova tarifa global de 10%. Nesse caso, a taxação expira em 150 dias – ou seja, em agosto, a menos que o Congresso americano aprove uma extensão.
*Colaborou João Pedro Cecchini





