
A liquidação do banco Pleno é o quinto impacto abrupto nas atividades de empresas do ecossistema do Master. Além do banco mais identificado com Daniel Vorcaro, já foram a ex-Reag – sobre a qual há suspeitas de conexões com facção criminosa –, o Will – são três – e o Fictor – com pedido de recuperação judicial. E não é surpreendente: quando o sistema financeiro começou a discutir uma alternativa para reforçar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com recursos dos depósitos compulsórios, esse desfecho já estava na conta.
O Pleno foi resultado da saída de um dos sócios do Master, Augusto Ferreira Lima, para ter sua própria instituição. Como Vorcaro, comprou um banco em situação frágil, o Voiter, que passou a se chamar Pleno. Levou junto seu maior ativo na criação do Master, o CredCesta, direcionado a crédito consignado para servidores públicos. Chamado de Guga Lima, o agora ex-banqueiro começou a carreira comprando uma rede de supermercados que pertencia ao governo da Bahia, daí o nome da ferramenta que avançou com crédito consignado a servidores.
Com a formalização da liquidação, deve ser reforçada a demanda para que o FGC tenha uma solução alternativa, porque a necessidade de reembolso a clientes já chega a R$ 52,5 bilhões, sem contar as "antecipações" do fundo feitas antes para o Master e o Will. Até onde se vê, seria o último elo do ecossistema de Vorcaro, mas convém não subestimar seu alcance.
A compra do Voiter por Guga Lima foi autorizada pelo Banco Central (BC) em julho do ano passado, semanas depois de a instituição ter comunicado ao Ministério Público indícios de fraude na compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Na época, o BC argumentou que não havia motivo legal para rejeitar o negócio. Além disso, como ficou claro na tentativa de venda do Master ao BRB, esse tipo de operação costuma ser uma alternativa à liquidação.
É bom reforçar que nenhum dos bancos ou casas de investimentos do ecossistema do Master representa risco sistêmico, ou seja, ameaça as demais instituições financeiras. Mas, como a coluna já havia relatado, esse já é o momento mais delicado no setor depois da crise global de 2008 e dos programas de ajuda que foram necessários depois do Plano Real, Proer e Proes.



