
A abertura de inquérito sobre gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB) expõe as dificuldades da instituição que tem como acionista controlador o Distrito Federal. Trata-se, portanto, de um ente público, sustentado com dinheiro dos pagadores de impostos de Brasília e de suas cidades-satélite.
O que está em apuração é a eventual responsabilidade sobre crimes de gestão fraudulenta (com intenção de provocar prejuízo), gestão temerária (sem intenção, mas que aceitou nível de risco insustentável) e organização criminosa. Tudo teria ocorrido na compra de carteiras de crédito "insubsistentes" (que não são verdadeiras) do Master pelo BRB. Havia uma estimativa inicial de que havia uma fraude de R$ 12,2 bilhões, mas agora a conta já chega a R$ 17 bilhões.
Depois que as operações entre BRB e Master foram feitas e desfeitas várias vezes, existe até dificuldade de estimar o real valor do dano ao banco público. A mais recente, feita pelo diretor do de fiscalização do Banco Central (BC) Ailton de Aquino, é de R$ 5 bilhões. Antes dessa cifra ser citada, o governador do DF, Ibaneis Castro, havia afirmado que haveria "plena capacidade" de fazer o aporte necessário, na época ainda avaliado em R$ 2 bilhões. Só que o valor mais do que dobrou.
Na situação de investigado, o BRB entregou à Polícia Federal (PF), "achados relevantes" em relatório produzido a partir de apuração interna. Não há detalhes, mas depois de todas as revelações feitas até agora no escândalo Master, é preciso muito para ser "relevante".
Embora não esteja entre os mais endividados, o DF também tem pendências como a União, como o Rio Grande do Sul. Encontrar espaço para um aporte de R$ 5 bilhões para seu banco público não será fácil. E até março, o BRB tem o dever de publicar seu balanço. A essa altura, haverá lentes de aumento com capacidade ampliada para analisar os números. Se não fecharem, o Banco de Brasília pode ficar exposto.






