
A essa altura, poucos ignoram quem é Jeffrey Epstein, o pedófilo que montou uma rede de exploração de meninas e outra de amigos poderosos. O escândalo já tirou o título e a casa do filho preferido de Elizabeth II, Andrew, e atingiu de Bill Gates (que admite) a Donald Trump (que nega). O que nem tanta gente sabe é que a carreira formal de Epstein foi formada no mercado financeiro dos Estados Unidos.
Na quinta-feira (6), as bolsas americanas se tingiram de vermelho, comportamento atribuído à persistente inquietação com um eventual estouro da bolha da inteligência artificial (IA), mas havia outro motivo. A nova leva de liberação de arquivos do escândalo Esptein incluiu totens de Wall Street (clique aqui para ter acesso direto ao material).
Na quinta em que as bolsas caíram, Brad Karp, presidente do escritório de advocacia de Paul Weiss, pelo qual passam os maiores negócios do mercado, teve de renunciar ao cargo que ocupava há muitos anos. Em nota, afirmou que "reportagens recentes" criaram "distração que não era do melhor interesse" da empresa. Foi resultado da revelação de que se relacionou com Epstein durante anos.
A entrada de Epstein no mercado financeiro é mais um dos mistérios que cercam o bilionário. Tudo teria começado por meio de Les Wexner, na época responsável pela Victoria’s Secret e fundador da Limited, outra gigante da moda. Mas é dado oficial de sua biografia que começou a carreira como professor de matemática em uma escola de elite – embora não tenha concluído nenhuma graduação universitária –, depois foi para Wall Street, onde fez fortuna e amigos poderosos.
Entre eles, estão Leon Black, cofundador do grupo de private equity (participação em empresas) Apollo Global Management, que pagou US$ 158 milhões a Epstein ainda no início da trajetória financeira do ex-professor de matemática. A Apollo está entre as três maiores do mundo nesse segmento. Conforme sua defesa, tratava-se de remuneração por "planejamento patrimonial e consultoria tributária" – uma das especialidades de Epstein.
Outra informação revelada no pacote de dados cujo sigilo foi levantado é a de que promotores de Justiça chegaram a avaliar acusações de estupro e lesão corporal contra Jes Staley, ex-CEO do banco britânico Barclays e ex-comandante do braço de investimentos do JP Morgan, também um dos maiores do mundo. Mas não avançaram.
Uma das teorias conspiratórias mais discutidas nos últimos anos é a do QAnon, segundo a qual o mundo dirigido por uma rede de pedófilos que se reunia em uma pizzaria em Washington seria salvo por Trump. Os documentos de Epstein dão uma arrepiante aparência de verdade parcial à tese delirante. Mesmo com cada vez mais citações ao atual ocupante da Casa Branca.






