
O apetite externo marcou janeiro no mercado financeiro. Só no primeiro mês deste ano, a entrada de investidores estrangeiros – portanto, de recursos em dólares transformados em reais – na bolsa de valores brasileira somou R$ 26,3 bilhões e superou o saldo registrado ao longo de todo 2025, de R$ 25,4 bilhões, na categoria secundária, que considera compra e venda de ações já listadas, sem emissões. Os dados foram publicados nesta terça-feira (3) pela B3.
Nesse período, o Ibovespa subiu 12,3%, ganhou quase 20 mil pontos e teve oito recordes nominais (não seguidos). Os investidores estrangeiros representam cerca de 60% do movimento na bolsa de valores nacional. Isso significa que as ações de empresas nacionais são mais sensíveis à injeção de dinheiro externo.
Um movimento de realocação e rotação para fora dos EUA beneficiou ativos brasileiros e de outros mercados emergentes. A estratégia de diversificação começou a ganhar corpo no ano passado, mas avançou em 2026 com as tensões provocadas por Donald Trump na Venezuela, na Groenlândia e no Irã. Alguns países europeus foram alvo de ameaças tarifárias.
Esse tumulto nos EUA levou investidores a diminuírem suas apostas em ativos americanos. Parte desses recursos desembarcou no Brasil, onde há perspectiva de início de ciclo de flexibilização monetária em março. Cortes de juro em sequência tendem a significar trava menor na atividade econômica e melhor desempenho das empresas no futuro, o que se reflete nas ações.
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) publicada nesta terça-feira também mexeu com as expectativas de Selic e impulsionou o Ibovespa aos 186,5 mil pontos, novo recorde nominal intradiário, no final desta manhã. A leitura predominante é de que a autoridade monetária não fechou a porta para um primeiro corte mais agressivo, de 0,5 ponto percentual.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo





