
Não se trata de milagre: o tarifaço afetou os planos da Bibi Calçados nos Estados Unidos. Conforme a CEO da empresa, Andrea Kohlrausch, nos últimos dois anos, o plano era investir no país de Donald Trump para deixar de depender de distribuidores e ter equipe própria por lá. Aí veio a alíquota de 50% para quem comprar calçados do Brasil para vender aos americanos.
— Não vamos deixar de participar em feiras, temos uma neste mês, não vamos desistir. Mas vamos frear o investimento. Não renovamos contratos com pessoas que estavam nos auxiliando nos EUA — resume Andrea sobre a consequência.
Portanto, com seu tarifaço, Trump deixou de gerar empregos em seu país. Já as vendas da Bibi nos EUA, conforme a CEO, estão um pouco menores, mas em volume "mais ou menos parecido" com o anterior à sobretaxa. O grande mercado de exportação da empresa é a América Latina.
— Nos últimos anos, temos trabalhado no ecossistema formado por indústria, varejo e tecnologia. A marca é pioneira em calçados infantis no Brasil e vai celebrar 77 anos em 2026. Já temos a maior rede de lojas monomarcas de calçados da América Latina, com 130 unidades, das quais 24 fora do Brasil — relata Andrea.

Existem nove lojas Bibi no Equador e oito no Peru, por exemplo. A empresária voltou há pouco de uma incursão na América Central. Detalha que o modelo é baseado em pontos de venda licenciados no Exterior. No Brasil, há sistema de franquias, embora a marca tenha 13 lojas próprias, a maioria no RS. É uma das formas de distribuir os produtos das fábricas de Parobé e de Cruz das Almas (BA).
Da Guatemala, onde já há três lojas da marca, trouxe uma constatação alentadora. No mercado, existem sapatinhos de uma conhecida marca americana, feitos na China, similares aos da Bibi. Mas ainda que com preço um pouco mais alto, os da indústria gaúcha vendem mais.
— Está mais caro, mas vende tudo. É resultado de trabalho, com produto de qualidade dentro de uma loja bonita, com bom atendimento. Mas é desafiadora essa construção — relata Andrea.
O Grupo Bibi tem 1.150 funcionários, incluindo só os de lojas próprias. Nas franquias, há outros 800. Andrea prevê crescimento de 10%, "com os pés no chão". Há menos de um ano, uma reforma da loja que funcionava na sede, em Parobé, foi reformada para dar lugar à Bibiland (foto acima).
— Nessa loja especial, há espaço para brincadeira A gente convida famílias e crianças para entrar em um caixa de sapato gigante, temos uma operação de café. No final, claro, esperamos que levem nossos produtos — diz Andrea.






