
Na véspera do ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã, o preço do petróleo disparou. A justificativa imediata era a frustração com a tentativa de acordo nuclear. Mas apesar da inclinação forte, foi apenas um novo ajuste que refletia a inquietação com o risco de um conflito. Só neste ano, a cotação do barril do tipo brent, referência internacional, subiu quase 20% (19,95%), por força das ameaças de Trump.
Embora o Irã seja um produtor mais importante do que a Venezuela, não é esse o foco do temor sobre o fornecimento da matéria-prima. O que preocupa mais é o funcionamento do corredor pelo qual passa um quinto de todo o petróleo consumido no planeta, que é controlado pelos aiatolás. E agora, o Estreito de Ormuz está em zona de guerra.
Algumas das principais petroleiras e mesmo empresas de comércio internacional já suspenderam os embarques de petróleo, combustível e gás natural liquefeito (GNL) que passariam pelo canal.
— Nossos navios permanecerão atracados por vários dias — disse à agência Reuters o executivo de uma operadora.
Nesse caso, ao contrário da Venezuela, não há efeito ambíguo: as pressões imediatas são de alta. Nem EUA nem Israel ignoram esse risco associado, mas pelas primeiras informações, não tomaram o cuidado de tentar neutralizar o poder do Irã sobre Ormuz antes do ataque.
Conforme a associação de petroleiros Intertanko, citada pela Reuters, a Marinha dos EUA alertou que não podia garantir a segurança da navegação neutra ou mercante em Ormuz e suas conexões locais. O Irã é o sexto maior produtor de óleo bruto do mundo, com cerca de 5 milhões de barris ao dia. E hoje, seu maior cliente é a China.



