
Quando bateu o sino – na verdade, uma campainha – de abertura do pregão da bolsa de valores de Nova York, a Nyse, nesta quarta-feira (11), Marciano Testa, fundador do Agibank, disse que pode não ser o mais inteligente dos banqueiros, mas é o mais insistente. Pode-se discordar de tudo com Marciano, menos com isso.
A bem-sucedida oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) comemorada agora já havia sido tentada em 2018. Não deu certo porque na época o mercado estava hostil em relação a esses processos. Agora, precisou ser ajustada, mas colocou no caixa do banco US$ 276 milhões (R$ 1,4 bilhão). Ainda não houve detalhamento de quem comprou os papéis, mas Aod Cunha, um dos primeiros conselheiros do Agibank, adianta uma característica:
— Temos vários investidores long only, os que ficam bastante tempo.
Em 2021, em entrevista à coluna, Marciano havia dito que o Agibank havia aberto espaço para o "Brasil de verdade". No ato de conclusão do IPO, estavam no balcão de honra da Nyse cem funcionários que são sócios do banco. Não é algo que se vê com frequência em Wall Street. O processo, admite Aod, foi longo e custoso.
— É uma operação que tem custo, envolve contratação de bancos, advogados. Abrir capital na Nyse é muito mais complexo do que no Brasil. Mas coloca o pé no mercado global, abre esse janela de captação que não é sempre que se abre.

Como a captação final foi menor do que a prevista, essa redução de oferta deixa margem para eventuais futuras operações, diz Aod. Mas afirma que o banco está bem capitalizado, consegue sustentar sua expansão com seus próprios resultados. O bom momento da bolsa brasileira não foi fundamental, avalia o conselheiro. O momento de fluxo de capital na direção dos emergentes pode ter contribuído, já que se tratava de um banco brasileiro, mas na bolsa de Nova York costumam pesar mais as condições de liquidez global para o sucesso de um IPO.
Nomes de peso em Wall Street, como Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citi, coordenaram a oferta do Agibank. O banco ainda concedeu aos coordenadores uma opção de lote adicional, exercível por até 30 dias, para adquirir até 3 milhões de ações, ao preço da oferta pública inicial. Caso esse volume também seja vendido, o IPO vai totalizar US$ 276 milhões.
Marciano Testa nasceu em Fagundes Varela, município da serra gaúcha com cerca de 2,5 mil habitantes. Começou a trabalhar aos oito anos e abriu sua primeira empresa aos 16, em Caxias do Sul. Aos 23, fundou a Agiplan, financeira que distribuía produtos de outros bancos, como crédito, e que evoluiu para se tornar o Agibank. Hoje, a companhia tem 6,4 milhões de clientes, foco em baixa renda e sede em Campinas, para onde se mudou em 2021.
*Colaborou João Pedro Cecchini






