
Depois de um recorde de entrada de produtos acabados de aço no Brasil em 2025, de 6 milhões de toneladas, a Gerdau teve de outubro a dezembro de 2025 o segundo pior trimestre dos últimos 20 anos nas operações nacionais. O grupo siderúrgico com raiz em Porto Alegre obteve resultado positivo – lucro ajustado de R$ 3,4 bilhões – no consolidado de seus negócios graças a suas operações na América do Norte.
— Ainda estamos abaixo da linha d'água na maioria das operações no Brasil. Temos adotado alternativas que estejam no nosso controle para tirar do vermelho e levar para o azul. Mas sem mecanismos de defesa comercial, será muito difícil encontrar uma alternativa para tirar todas do vermelho — afirmou o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck.
Ao complementar a resposta à dúvida da coluna, o diretor financeiro do grupo, Rafael Japur, comparou:
— Com base na margem ebitda (percentual de lucro sobre o resultado da operação, sem efeitos financeiros), esse quarto trimestre foi o segundo pior da operação da Gerdau no Brasil desde que estou na empresa, há 21 anos. O pior foi o quarto trimestre de 2015, quando o Brasil vivia a Lava Jato, com paralisação das empreiteiras. O que estamos vivendo agora se parece mais com isso do qualquer momento da nossa história.
Apesar dessa dificuldade, que levou a utilização da capacidade de laminação da Gerdau a 58% – o ideal é entre 80% e 85% –, não há previsão de fechamento de novas unidades, disse o CEO:
— Fechamos turnos de trabalho, trabalhamos na melhoria da produtividade, na redução de custos. Nosso plano para 2026 é seguir com as mesmas operações do ano passado.
Assim como no final do ano passado, a Gerdau segue otimista com a possibilidade de o governo adotar mecanismos para reduzir a importação abaixo dos preços de mercado e aposta em adoção de medidas de salvaguarda em meados deste ano. Nos últimos anos, a parcela da demanda doméstica atendida por aço importado saiu dos históricos 11% para 25%.
— Esses mecanismos precisam de investigação para comprovar se houve dumping (venda por preço abaixo do mercado). Esperamos que, por volta de junho ou julho, a análise provisória se torne definitiva e o governo adote medidas de defesa comercial — afirmou Werneck.
Para a Gerdau, a mudança no tarifaço praticamente não tem impacto. As alíquotas sobre aço não foram derrubadas pela Suprema Corte porque não eram baseadas na Lei de Emergência Nacional, conhecida pela sigla em inglês Ieepa. Boa parte das sobretaxas a setores específicos são justificadas pela seção 232 do Código Comercial dos Estados Unidos, relacionada à segurança nacional. Além disso, empresa abastece o mercado americano com produção local.

