
Réplicas do terremoto provocado com a liberação dos arquivos de Jeffrey Epstein, o pedófilo que montou uma rede de exploração de meninas e outra de amigos poderosos, seguem provocando estragos no circuito econômico. A exposição da proximidade de personagens de Wall Street e de outras latitudes do universo corporativo e empresarial segue provocando baixas, seja de cargos, seja de reputação.
Nesta quinta-feira (26), o escândalo derrubou Borge Brende, atual CEO do Fórum Econômico Mundial, depois que a organização abriu uma investigação interna sobre sua ligação com Epstein. Em nota, afirmou que isso vai permitir que o Fórum mantenha seu trabalho "sem distrações". O ex-ministro de Relações Exteriores da Noruega estava no cargo executivo desde 2017, substituindo o criador do evento global, Klaus Schwab.
Na quarta-feira (26), o fundador da Microsoft, Bill Gates, que já havia afirmado se arrepender "de cada minuto" que havia passado com Epstein, teve de oferecer um pedido formal de desculpas aos funcionários da sua fundação, a Gates Foundation. Desde que se afastou da empresa, ele tem se dedicado a atividades filantrópicas da fundação, que entrou em crise com a exposição das fotos do chefe com Epstein e jovens mulheres. Gates sustenta que não fez e não viu nada de ilícito. Admitiu apenas ter tido casos extraconjugais com duas mulheres russas.
Outro totem da economia americana, o ex-secretário do Tesouro Larry Summer teve de renunciar em definitivo do cargo de professor da Universidade de Harvard. A instituição publicou nota anunciado a decisão que será formalizada no final do ano letivo, mas frisando que, até lá, Summer segue em licença iniciada em novembro de 2025, depois que seu nome apareceu centenas de vezes nos arquivos de Epstein.
Epstein atuou no mercado financeiro
A entrada de Epstein no mercado financeiro é um dos mistérios que cercam o bilionário. Teria começado por meio de Les Wexner, fundador da Limited e, na época, responsável pela Victoria’s Secret. Na época, era professor de matemática em uma escola de elite – embora não tenha concluído nenhuma graduação universitária. A partir da ligação com Wexner, foi para Wall Street, onde fez fortuna e amigos poderosos.
Entre eles, estão Leon Black, cofundador do grupo de private equity (participação em empresas) Apollo Global Management, que pagou US$ 158 milhões a Epstein ainda no início da trajetória financeira do ex-professor de matemática. A Apollo está entre as três maiores do mundo nesse segmento. Conforme sua defesa, tratava-se de remuneração por "planejamento patrimonial e consultoria tributária" – uma das especialidades de Epstein.





