
Era tão insustentável a manutenção da relatoria do caso Master com o ministro Dias Toffoli que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve de escolher. Entre manter aparências já comprometidas e a autopreservação, a Suprema Corte colocou a sabedoria acima da vaidade e retirou o escândalo das mãos de Toffoli. Será mantido no STF porque o mesmo relatório que foi a gota d’água no desgaste contém personagens com o famoso "foro por prerrogativa de função".
Para evitar que a reputação do STF virasse cinzas antes da próxima quarta-feira, foi feito o necessário. Antes tarde do que mais tarde. Toffoli passa a ser apenas uma das muitas "pessoas de interesse" no caso que precisa ser esclarecido para tirar a sombra da suspeita que, agora, ainda cai sobre qualquer instância de poder.
Mas é essencial que sejam retirados todos os sigilos possíveis que pesam sobre o caso, muitos artificialmente impostos por Toffoli. É preciso avançar na transparência com prudência, para não ameaçar nem presunção de inocência nem direito de defesa, muito menos a integridade do processo. É essencial separar suspeita de indício e conexão de tráfico de influência.
Entender os canais que permitiram ao Master causar prejuízos bilionários ao sistema financeiro – e por extensão, a todos os clientes – a um banco público estadual e a quase duas dezenas de fundos de pensão de Estados e municípios é fundamental para poder fechá-los a outros aventureiros.
Além de prejuízos aos setores público e privado, esse tipo de atuação atropela os canais oficiais, conforme a necessidade e a disponibilidade de compra de cumplicidade. Isso provoca uma assimetria de condições de competição que fere o mais básico princípio da economia.
No Carnaval de 2026, é possível que surjam fantasias criativas com máscaras de Daniel Vorcaro e Dias Toffoli. Só a percepção de que esses dois eram os personagens até agora mais conhecidos do escândalo Master evidencia a gravidade do que ocorria antes que o STF fosse constrangido a agir para se autopreservar.
Vai ser preciso esperar pela Quarta-Feira de Cinzas para avanços reais no esclarecimento do caso. Mas é crucial, para o funcionamento da economia e para a República que haja responsabilização. O Brasil pode sustentar um escândalo Master. Mas se esses canais ficarem abertos para que isso se repita, aí sim poderá se discutir o fim da institucionalidade.
Os elos de Toffoli
Maridt
A empresa com participação no Tayayá Aqua Resort tinha Toffoli como sócio, mas estava registrada em nome de seus irmãos José Eugênio Toffoli e José Carlos Toffoli. Com sede em uma casa simples de Marília (SP), foi criada com capital social de R$ 150 em outubro de 2020. Em dezembro do mesmo ano, adquiriu cotas do resort por R$ 4,55 milhões. Na época, o patrimônio imobiliário dos irmão do ministro era de R$ 380 mil.
Fundo Arleen
Compra parte das cotas da Maridt no Tayayá em 27 de setembro de 2021. O fundo é um dos fios da ampla teia da Reag e tem como titular Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Era focado em participações no resort paranaense, que representavam 99% de sua carteira em novembro de 2021.
PHD Holding
Compra o que o Maridt ainda tinha no resort paranaense em 21 de fevereiro de 2025, menos de um ano depois de ser criada. Foi fundada em 25 de setembro de 2024. O PHD Holding também era administrado pela Reag.



