
A bolsa de valores brasileira disparou cerca de 12% neste início de ano e acendeu um alerta no Bank of America (BofA). Para a equipe de estratégia da instituição, as ações nacionais estão se aproximando de níveis "tipo bolha", mesmo que sequer tenham quebrado seu recorde real, ou seja, corrigido pela inflação.
O banco observou que o indicador de risco de bolha (BRI, na sigla em inglês bubble risk index) dos papéis de empresas brasileiras chegou a 0,7 na semana passada, quando o Ibovespa superou os 180 mil pontos pela primeira vez na história.
O BRI é baseado em retorno, volatilidade, volume transacionado (chamado de indicador de "momentum") e fragilidade. A proposta consiste em estimar, em escala de zero a 1, o exagero no preço das ações. O BofA considera o patamar de 0,8 como sinal de possível bolha.
A percepção estrangeira é contestada por aqui. O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, avalia que a bolsa brasileira avançou por uma razão clara: a intensa entrada de investidores estrangeiros, que alcançou R$ 26,3 bilhões em janeiro. A realocação para fora dos EUA ganhou corpo no início deste ano com as tensões provocadas por Donald Trump e espalhou dinheiro em vários mercados emergentes. Essa avalanche de dólares, no entanto, deve reduzir o ritmo no Brasil nos próximos meses.
— Acredito sinceramente que não é uma bolha, mas a bolsa não tem fundamentos sólidos para sustentar esse crescimento de forma acentuada. As altas devem continuar, mas de forma mais moderada — diz Agostini.
O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, tem interpretação semelhante. Diz que a alta forte na bolsa brasileira "mostra exagero de curto prazo, não necessariamente uma bolha". A cerca de uma hora do fechamento desta quarta-feira (4), o Ibovespa mostra correção no preço das ações: cai 2,5%, de volta ao nível de 180 mil pontos.
— A relação preço-lucro voltou para a média histórica. A bolsa brasileira não está mais tão barata como já esteve, há outras que ainda estão um pouco descontadas em relação à média histórica — argumenta William.
E cá entre nós: risco de bolha, mesmo, existe na Nasdaq e na bolsa de Nova York.
*Colaborou João Pedro Cecchini





