
Foi só nesta terça-feira (3) que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou a indicação de Guilherme Mello para uma das duas diretorias vagas no Banco Central (BC) desde o final de 2025. Como era especulada desde o último final de semana, a hipótese já mexia com os nervos do mercado financeiro.
Atual secretário de Política Econômica na Fazenda e muito identificado com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Guilherme é visto como "o PT no Copom". Seria uma espécie de antítese do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que desenvolveu carreira no setor financeiro para, só depois, aproximar-se de Haddad.
Uma das vagas, ocupada até 31 de dezembro por Diogo Guillen, é exatamente a de diretor de política econômica do BC. A outra é de Renato Gomes, de organização do sistema financeiro, que teve protagonismo na liquidação do banco Master. Ao confirmar a indicação, Haddad também reclamou do vazamento, que realmente não o ajudou, por ter criado uma parede de rejeição ao nome de Guilherme.
— De lá para cá, não voltamos (Haddad e Lula) a conversar. Três semanas atrás, ele (o presidente) disse que ia nos chamar para conversar, mas não tomou a decisão. Se (a pessoa que vazou a informação) quis atrapalhar uma sugestão, agiu mal — disse Haddad à Band News.
Uma das versões no mercado cogita que um dos objetivos da indicação seria acomodar uma disputa na Fazenda depois da saída de Haddad. A expectativa do atual ministro é de que seu secretário executivo, Dario Durigan, torne-se ministro. Vindo do WhatsApp, o segundo em hierarquia na pasta teria embates frequentes com Guilherme.
O mercado vê o indicado de Haddad como um risco à credibilidade conquistada com choque no juro por Galípolo, por avaliar o economista como um seguidor da cartilha de taxa baixa a qualquer custo. Um dos motivos é o fato de Guilherme relativizar os problemas fiscais do Brasil. Outra tese é de que não agrada sequer ao presidente do BC, que perderia força se fosse obrigado a aceitar um nome com o qual não concorda.
Haddad, que sabe das restrições do mercado sobre o seu candidato, disseque o BC "dificilmente deixará de ser" técnico e observou que pressões sobre a instituição "sempre existiram". Na segunda-feira (2), quando o dólar marcou passo, mas a bolsa avançou bem, os juros futuros subiram, em reação atribuída à indicação de Mello.




