
Como antecipado na véspera pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rego Filho, o relator da liquidação do Banco Master no tribunal, Jhonatan de Jesus oficializou nesta quinta-feira (8) seu recuo na tentativa de questionar a decisão autônoma do Banco Central (BC).
Não desistiu sem tentar disfarçar. Em despacho, insistiu que poderia, com base nas regras do Código de Processo Civil, rejeitar os embargos do BC de forma monocrática. Mas alegou que diante da "dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais" optou por recomendar que o assunto seja deliberado pelo plenário do TCU. Os contornos desproporcionais, na verdade, surgiram do TCU para dentro.
Como se sabe que a maioria dos ministros é contrária à inspeção específica, essa frente da ofensiva contra a liquidação deve ser neutralizada. Foi resultado de conversas, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (em plenas "férias"), e do presidente do BC, Gabriel Galípolo, com Vital do Rego. Outros riscos seguem no horizonte.
A retirada estratégica ocorreu no final de um dia em que houve alta do dólar e queda na bolsa atribuídas à realização de lucros – quando os investidores e especuladores desfazem posições para embolsar os ganhos. Mas há relatos de que clientes estrangeiros manifestaram dúvidas sobre a institucionalidade econômica do Brasil, onde até um Tribunal de Contas poderia interferir sobre uma decisão autônoma do Banco Central.
A Polícia Federal (PF) marcou depoimentos na investigação sobre suspeita de crimes financeiros na venda do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB) para o final deste mês. Enquanto isso, o caso segue sob sigilo determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.



