
A gaúcha Andrea Krewer passou por diferentes empregos, do supermercado ao posto de gasolina, antes de se tornar CEO no Brasil da multinacional francesa Sodexo, que tem foco em serviços corporativos de alimentação. Entrou na empresa como trainee e, há cerca de três anos, lidera uma equipe de cerca de 47 mil funcionários no país, dos quais 3 mil no RS, onde a Sodexo tem escritório.
Como começou a sua trajetória?
Sou de São Martinho, cidade de 6 mil habitantes no interior do RS, onde vivi a minha infância e adolescência, até fazer o movimento de entrar na Sodexo como trainee. Comecei a minha jornada profissional muito cedo, sou de família muito humilde. Tive meu primeiro emprego aos 14 anos. Trabalhei em supermercado, loja de eletrodomésticos, escritório de contabilidade, sindicato patronal, posto de gasolina. A universidade mais próxima de São Martinho é o Unijuí, que fica a 115 quilômetros. Trabalhava durante o dia e, à noite, ia para a universidade fazer curso de Nutrição.
O trabalho era em São Martinho?
Teve o período do escritório de contabilidade em Porto Alegre. Sempre dizia que o meu futuro não seria em São Martinho. Fiquei um ano em Porto Alegre, retornei para São Martinho. Vi que a vida não era tão fácil assim.
Como uma trainee vira CEO?
Em novembro de 2004, ingressei na Puras, adquirida pela Sodexo em 2011, em Santa Cruz do Sul, como trainee. Fiquei dois anos em Santa Cruz do Sul, depois fui trabalhar em Parobé, onde servíamos 10 mil refeições por dia. Depois, virei gerente da Região Metropolitana. Em 2009, fui convidada para assumir a gestão do RS. E em 2010, comecei a fazer parte do comitê executivo da empresa, como diretora de Sul, Norte, Nordeste, Rio de Janeiro. Só não era responsável por São Paulo e Minas Gerais. Depois de a Puras ser adquirida pelo Sodexo, fui convidada para ser CEO do segmento corporativo, cargo em que fiquei por seis anos. Três anos atrás, recebi o convite para assumir a cadeira de CEO para a região Brasil. A Sodexo atende 45 países, e o Brasil representa o quarto em grandeza de faturamento e o terceiro em número de colaboradores. Somos quase 47 mil colaboradores no Brasil.
A que credita a ascensão na empresa?
Tinha certeza que seria protagonista dentro da minha família. Somos sete irmãos, sou a mais nova e a única que fez faculdade. Nunca almejei cargo. Cargo é ambição. Sempre almejei ser melhor naquilo que estava fazendo. Nunca tive plano de carreira, nem pessoal nem da empresa. Soube ver as inúmeras oportunidades que tinha dentro da empresa.
Mesmo que nosso escritório anterior tenha sido inundado, nunca pensamos em sair do RS
ANDREA KREWER
CEO da Sodexo no Brasil
Por que um dos principais escritórios da Sodexo no Brasil é em Porto Alegre? Ter uma CEO gaúcha é só uma boa coincidência?
Sou apaixonada pelo meu Estado, mas a Sodexo está no RS desde 2001. A gente tem três escritórios em São Paulo, Porto Alegre e Macaé. A Sodexo sempre teve escritório em São Paulo, e a Puras tinha sede em Porto Alegre. Mesmo que nosso escritório anterior tenha sido inundado, nunca pensamos em sair do RS.
Quanto representa a operação no RS?
Em São Paulo, temos mais pessoas de marketing, comercial, estratégia. No RS, fica a nossa base: finanças, RH, folha de pagamento, fiscal. Temos 3 mil colaboradores. Estamos em 26 Estados brasileiros, e o RS é o quinto em proporção.
Neste ano, vocês investiram em um novo escritório em Porto Alegre. Como estão observando o fortalecimento do trabalho presencial?
Temos quase 1 mil clientes no Brasil, quase 3 mil endereços. O que dá certo para nós é modelo híbrido. Definimos, para os funcionários, quatro vezes ao mês no presencial como orientação. Nosso objetivo é que as pessoas vão para o escritório para criar, para interagir, para fazer diferente, e não para ligar o computador e fazer o que faz em casa. Mas é surpreendente que as pessoas querem estar mais no escritório. Percebemos que estão mais felizes, e a produtividade está maior.
Não é algo que a gente faz para falar para fora, mas porque é o certo a ser feito
ANDREA KREWER
CEO da Sodexo no Brasil
Como você avalia as mudanças na agenda ESG?
Quando a gente faz, primeiro tem de ter propósito, e o meu sempre é trabalhar deixando legado. Temos uma agenda muito positiva em todos os itens do ESG, meio ambiente, social e governança. Cerca de 70% do nosso negócio é alimentação. Temos impacto bastante grande para a comunidade com a geração de resíduos. Então, temos programas para reduzir a geração de resíduos. Não é algo que a gente faz para falar para fora, mas porque é o certo a ser feito. Quando falamos em diversidade, cuidado e inclusão, 84% do nosso quadro de líderes são mulheres.
Qual a expectativa para 2026 no Brasil?
Continuamos com uma agenda muito positiva. Acreditamos demais no Brasil. Nossa ambição e visibilidade de crescimento é de dois dígitos, não que só para 2026.
*Colaborou João Pedro Cecchini




