
Com risco de escalada na guerra comercial determinado pela reação da União Europeia a nova ameaça de Donald Trump, os ativos "congelaram". Nesta segunda-feira (19) de tensão, petróleo, dólar e bolsa têm variações quase invisíveis, à espera que uma próxima faísca indique a direção. O presidente dos Estados Unidos ameaçou a Dinamarca e outros sete países com novas tarifas, e a UE rebateu ameaçando retaliar com 93 bilhões de euros (R$ 580 bilhões) em taxas alfandegárias.
O petróleo mal esguichou: no final da tarde, só a segunda casa depois da vírgula se movia, oscilando -0,047% para baixo. O dólar ficou 0,16% mais desbotado em relação ao real, a R$ 5,364, e a menos de uma hora do fechamento, a bolsa só indica um movimento de baixa de 0,1%.
Em uma espécie de atestado de ego frágil, Trump ainda fez questão de distribuir ao mundo uma carta endereçada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, afirmando não "pensar exclusivamente na paz" por não ter ganho o Nobel. Pausa para explicação: não, o todo-poderoso não se enganou no destinatário, apesar do gigantesco equívoco de prioridades. Instituições da Suécia conferem várias distinções do Nobel, mas o da Paz é escolhido pelo Comitê Norueguês, nomeado pelo parlamento do país dos fiordes.
Outro sinal de que os indicadores que mais variam no dia a dia em situações normais estão congelados por medo, o que se mexeu muito foram os preços dos chamados "ativos de proteção". Os contratos futuros de ouro para fevereiro subiram cerca de 1,7%, para acima de US$ 4.670 por onça-troy, enquanto o valor à vista aumentou perto de 1,6%. A prata, cuja negociação vem crescendo nesse ambiente de incerteza, teve alta ao redor de 5% nos contratos futuros e está perto de US$ 93 por onça. As cotações dos dois metais preciosos estão em níveis recordes.




