
Era um óbvio recado o dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (23), forçando uma inimizade com Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que até não havia sido explicitada. Falar em "golpe de R$ 40 bilhões" não permite volta atrás. Passa pelo interesse eleitoral, claro, mas era muito específico – com a observação de que "tem gente que defende" e o acréscimo de que "falta um pouco de vergonha" – para não ter endereço certo.
No final de semana, o jornalista do jornal O Globo Lauro Jardim informou que Lula se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli em dezembro, pouco depois da decretação de sigilo sobre o caso que começou a série de atitudes "atípicas" do interlocutor presidencial.
Também estava no encontro, segundo esse relato, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que teria detalhado a Toffoli a teia do escândalo financeiro do dono do Master. Para lembrar, nas primeiras manifestações depois da volta das férias, Haddad fez questão de afirmar que a fraude do Master pode ser a maior da história do país.
Lula ter assumido essa postura publicamente não é algo trivial. Pelo que se comenta nos bastidores econômicos e políticos do escândalo do Master, a fila de candidatos disposto a fazer a defesa de Vorcaro era grande. E havia dúvidas fundadas, dada a especulação sobre a relação do ex-banqueiro com pessoas muito próximas do presidente.
Não se sabe se gente muito mais próxima do presidente do que Toffoli já não havia tentado a conversa de que a liquidação do Master era obra dos banqueiros tradicionais incomodados com o outsider, como Vorcaro gostava de se intitular. Agora, sabem que não vai emplacar.
Depois do comentário de sexta-feira (23), a fila deve ter encolhido alguns quilômetros. Para chegar ao presidente agora tentando justificar o injustificável ficou muito mais difícil. É cálculo eleitoral, mas é uma conta que também tem portas fechadas a considerar. E aquela meia dúzia de palavras fechou algumas. Do governo para fora e do governo para dentro.




