
Quatro setores do Rio Grande do Sul têm metade ou mais de suas exportações para a União Europeia (UE), com maior chance de se beneficiar com o acordo de livre-comércio com o Mercosul. Os quatro "ganhadores" venderam US$ 114,4 milhões ao bloco europeu em 2025, 4,1% do total embarcado para lá no ano passado (veja detalhes abaixo).
Mesmo sem peso significativo na economia do RS, o segmento de gomas, resinas e outros extratos vegetais registrou maior percentual de exportações para a UE nos últimos 12 meses. Cerca de 80% do que foi vendido a outros países no ano passado foi para Portugal. O setor de produtos químicos orgânicos, que tem maior relevância nesse conjunto, embarcou US$ 97,2 milhões ao bloco europeu em 2025, pouco mais da metade do total enviado ao Exterior.
Esses bens, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), podem ser usados como solventes e componentes de combustíveis ou até servir de matéria-prima para fabricação de medicamentos, detergentes e cosméticos.
O levantamento é da coluna, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e com divisão por setor a partir da padronização internacional definida pelo SH2 (Sistema Harmonizado categoria 2).
O segmento de tabaco, que tem forte presença no RS, também vende em quantidade considerável à UE, mas abaixo de 50%. Dos US$ 3 bilhões exportados no ano passado, pouco mais de um terço (34,6%) desembarcou em países do bloco europeu, como Bélgica e Polônia. Empresas gaúchas que vendem resíduos de indústrias alimentares, que podem ser usados para nutrir animais, por exemplo, enviaram US$ 438,5 milhões à UE em 2025, 30,9% do total vendido pelo setor ao Exterior.
O RS exportou US$ 2,8 bilhões para UE em 2025. O conjunto que reúne boa parte dos principais países da Europa é o segundo principal parceiro comercial do Estado, só atrás da China. A Federação das Industriais do Estado (Fiergs) calcula aumento de 4,6% em 15 anos no PIB do RS e criação de 31 mil empregos em decorrência do pacto Mercosul-UE.
A estrutura da União Europeia
Conselho Europeu
Formado por chefes de Estado e de governo, é o órgão supremo da hierarquia. Decisões cruciais exigem consenso, ou seja, aprovação de todos. Era o que travava o acordo com o Mercosul diante da resistência de países como Áustria, França, Hungria, Irlanda, Polônia – todos votaram contra na sexta-feira. A surpresa foi a abstenção da Bélgica, considerada inesperada porque o país é a sede da maior parte da infraestrutura da UE.
Comissão Europeia
Como a grande maioria dos países da UE são parlamentaristas, sua estrutura administrativa também é. O Conselho representa a chefia de Estado, ou seja, responder por decisões estratégicas e representação formal. A chefia de governo, ou seja, a gestão do dia a dia, é da Comissão Europeia, formada como um gabinete parlamentarista chefiado hoje pela alemã de origem belga Ursula von der Leyen. A mudança de 2024 permitiu uma aprovação no Conselho com quórum mínimo de 15 países que representassem 65% da população total. Será responsável pela implantação do tratado, desde que seja aprovado no Parlamento Europeu.
Parlamento Europeu
É o Poder Legislativo do bloco, formado por integrantes eleitos só para essa representação. Tem três sedes: a oficial fica em Estrasburgo (França, foto acima), onde ocorrem sessões mensais, mas reuniões de comissões e de grupos políticos ocorrem em Bruxelas (Bélgica). Ainda existe um secretariado-geral em Luxemburgo. Essa distribuição, nada prática, tem origens históricas e resultado de disputa de poder interno no bloco.
O acordo Mercosul-UE
A origem
As primeiras tentativas ocorreram em 1999. Houve anúncio com assinatura de termo em 2019, sem efeito prático. Em dezembro de 2024, Mercosul e UE voltaram a anunciar desfecho positivo, também sem consequência efetiva.
O que prevê
O que foi aprovado no Conselho é a parte econômica do tratado, ou seja, um acordo de livre-comércio. Isso significa a retirada de barreiras para exportações e importações entre os 27 países da UE e os cinco do Mercosul. A base é o oposto do tarifaço: a redução, nos dois lados, dos impostos de importação.
O tamanho
Os dois blocos reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) ao redor de US$ 22 trilhões.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo



