
Muitos setores ainda não tiveram tempo de atualizar os cálculos de ganhos & perdas com o acordo Mercosul-União Europeia, e já precisam se debruçar sobre o potencial de danos com eventual nova tarifa de 25% para enviar produtos aos Estados Unidos. No governo brasileiro, há expectativa de que, caso seja confirmado, fique restrita aos principais parceiros comerciais do Irã, o que pouparia o Brasil, fora dos 10 primeiros lugares.
Mas a ameaça foi feita na noite da segunda-feira (12) pelo presidente Donald Trump a "qualquer país" (any country) que tenha comércio com o Irã. O objetivo é óbvio: aumentar a pressão popular que já vem se avolumando nos últimos dias para derrubar o regime dos aitolás. No ano passado, com apenas cinco meses de vigência do tarifaço de 50%, o déficit comercial do Brasil com os EUA ficou 26 vezes maior. O que esperar de um acréscimo de 25%?
Primeiro, será preciso esperar a ordem executiva (equivalente a decreto no Brasil) de Trump para saber se a tarifa será aplicada de fato para todos os países ou apenas para os que ficaram com a chamada "tarifa recíproca" básica, de 10%. Caso o cenário seja o megatarifaço, é bastante provável que o resultado para o Rio Grande do Sul seja o mesmo da alíquota anterior: um impacto acima da média nacional.
Outra vez, tudo o que se tem até agora é uma publicação em rede social. Teria vigência "imediata", mas até a metade da manhã seguinte, não há oficialização no site da Casa Branca, como costuma ocorrer quando uma nova regra entra em vigor. A publicação mais recente é relativa à Venezuela, do dia 9 de janeiro. Pode não passar de uma nova ameaça? Pode. Mas o tarifaço de 50% contra o Brasil também foi anunciado em rede social para, depois, gerar uma ordem executiva.
Portanto, melhor começar a fazer contas. É preciso lembrar que o comércio com os EUA já havia encolhido antes do tarifaço. Era de 12% do total em 2024, caiu para 11% no ano passado. Isso mostra que cinco meses de alíquota de 50% reduziram as vendas do Brasil aos americanos em apenas um ponto percentual, mantendo o país como segundo maior parceiro comercial. Para os segmentos barrados na alfândega, porém, o impacto é profundo.
Se a taxa de 50% já tornava inviável a venda de muitos produtos aos EUA, uma de 75% é quase impensável. Para lembrar, sem contar ameaças variadas, a tarifa para produtos chineses está em 34%. Acrescida de 25%, iria a 59%. Na hipótese de que fosse possível do ponto de vista logístico (não é), seria conveniente para o Brasil triangular produtos para a China para exportar aos EUA. Absurdo? Sim. Assim como uma tarifa acumulada de 75%. Se a manutenção de 50% para alguns setores já era ao quadrado, agora se trata de um absurdo cúbico.






