
O RS está à frente de discussões sobre o futuro de escolas diante dos desafios da mudança climática. Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, que atua com projeto no RS de edificações resilientes na área de educação, afirma que a enchente de 2024 trouxe ensinamentos que podem servir de referência para outros Estados com os quais a organização tem parceria. É um exemplo de como o RS pode ser farol na adaptação a eventos extremos.
Como o instituto se envolveu no RS?
A parceria com o Estado é anterior à enchente, começa em 2023, formando diretores de escolas e a própria secretaria. Depois, surgiu o projeto de escolas resilientes. A ideia da resiliência não é só uma estratégia de equipamento físico, mas também serve para pensar o antes, o durante e o depois da emergência climática. Outra agenda que atravessa o processo é o letramento climático, que é como as pessoas desenvolvem consciência e reflexão sobre quais são as suas relações com o clima. As escolas precisam ser resilientes em cuidado, acolhimento e aprendizado.
Qual o papel do Instituto Unibanco?
O instituto é focado em educação pública e estratégias de gestão para redução das desigualdades e resultados de aprendizagem.
Quais os principais projetos?
Temos parceria com seis Estados. O RS é o mais recente, mas também estamos com Ceará, Piauí, Espírito Santo, Goiás e Minas Gerais. São cenários radicalmente distintos do ponto de vista socioeconômico. A cada três anos de ensino médio, as escolas com o nosso trabalho aprendem um ano a mais. Gestão é capaz de incidir na melhoria da qualidade do ensino, e um corpo profissional na educação pública aumenta muito a probabilidade de garantir o direito à aprendizagem dos estudantes.
Como a experiência no RS impacta o trabalho do instituto?
As soluções arquitetônicas de escolas mais resilientes surgem dado o tamanho do desastre no RS, um aprendizado que estamos discutindo e que pode levado para outros Estados que temos parceria de longo prazo. São escolas de referência, não é um padrão que pode ser repetido. É mais do que uma arquitetura preocupada com o enfrentamento da emergência climática. É um olhar mais amplo sobre os desafios de solução espacial que esteja preocupada com crianças e adolescentes.
*Colaborou João Pedro Cecchini

