
Se ações do presidente dos Estados Unidos contra países como Venezuela e Irã são aplaudidas sem reservas por quem acredita que os fins justificam os meios, o último alvo de Donald Trump pode surpreender. Depois de reunião com petroleiras na Casa Branca, ele ameaçou não um ditador, nem um antípoda ideológico, mas a maior empresa de petróleo e gás de capital aberto dos EUA, a ExxonMobil.
Trump convocou CEOs de petroleiras para demandar investimentos na retomada da exploração de petróleo na Venezuela. Compareceram 17, na sexta-feira passada. O da Exxon, Darren Woods, ponderou que é preciso mudar leis locais para tornar atrativa a oportunidade. Como está, argumentou, é impossível ("uninvestable" foi a expressão em inglês).
— Nossos ativos já foram confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que uma terceira entrada exigiria mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente.
Como resultado, Trump dirigiu sua metralhadora de ameaças à gigante do petróleo.
— Não gostei da reação. Provavelmente, vou optar por manter a Exxon fora do projeto. Estão sendo muito espertinhos — disse Trump a a bordo do Air Force One, no domingo.
A reticência das petroleiras foi antecipada na entrevista à coluna do presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy. O executivo lembrou que a decisão de investir nessas companhias, que têm ações negociadas em bolsa, precisa atender a normas internas de governança, que incluem a redução de risco de perda para os acionistas. A Exxon é uma das empresas que tiveram ativos estatizados pela Venezuela entre 2006 e 2007.





