
Depois de cair no mercado asiático, o preço do petróleo na bolsa de Londres, principal referência global, oscila pouco nesta segunda-feira, primeiro dia útil depois do ataque à Venezuela seguido de deposição do ditador Nicolás Maduro. A variação para cima é de apenas 0,4%, abaixo até de oscilações diárias corriqueiras, mesmo depois da interferência ilegal dos Estados Unidos no país que tem a maior reserva da matéria-prima do planeta.
O efeito líquido da operação ordenada por Donald Trump inclui tanto o abismo de incertezas aberto por uma ação que não respeita o princípio da livre determinação das nações quanto, no longo prazo, chance de aumento da oferta de petróleo, já que Trump anunciou a retomada dos investimentos americanos no país da América Latina. E apesar de estar sobre quase um quinto das reservas conhecidas de óleo do planeta, a produção atual da Venezuela é ínfima, ao redor de 1% do total global, como mostra o gráfico abaixo:
A baixa produção atual da Venezuela é o limitante físico do aumento do preço do petróleo provocado pelo excesso de incertezas. Para comparar, quando o Irã se envolveu no conflito do Oriente Média, a pressão foi muito maior, mesmo que o país dos aiatolás também não fosse um grande fornecedor da matéria-prima neste momento.
O problema é que o Irã controla um corredor marítimo, o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do tráfego internacional de petroleiros. Foi o temor de que impusesse uma barreira que elevou as cotações na época.
O mercado, como se sabe, é amoral, no sentido de que não leva em conta leis e regras e sequer princípios éticos na formação de preços. Na cotação do barril, não importa se, depois da intervenção bem-sucedida em outro país – por mais que tivesse um opressor no comando — Trump se sente à vontade para fazer ameaças que vão da Colômbia à Groenlândia. O que importa é que 1. não há reflexo imediato na oferta e 2. no futuro a produção venezuelana pode aumentar. E a incerteza? Por ora, não está precificada.






