
Depois do recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas ameaças de ataque ao Irã, o preço do petróleo despencou nesta quinta-feira (15). O barril do tipo brent, referência internacional, caiu 4%, para US$ 63,64. Ainda na noite de quarta-feira (14), Trump havia afirmado que "a matança parou", dado a senha de que recolheria as tropas. Na véspera, havia afirmado que a ajuda aos iranianos estava "a caminho".
Sem o temor de um ataque de consequências imprevisíveis, no Brasil a bolsa teve novo recorde de fechamento. Com alta de apenas 0,26%, encerrou em 165.568 pontos. Durante o dia, a máxima foi mais alta, de 166 mil pontos, mas o Ibovespa moderou o apetite por risco nos momentos finais da sessão. Para confirmar a melhora de humor, o dólar voltou para menos de R$ 5,40, com baixa de 0,62%, para R$ 5,368.
O ânimo do mercado financeiro evidencia que a liquidação da CBSF (ex-Reag) não trouxe sobressalto a investidores, de tão previsível que era. Sempre que uma empresa do segmento tem atividades encerrada, costuma gerar alguma cautela até que o restante do sistema bancário tenha segurança de que não há contágio. Desta vez, não foi o que ocorreu.
O alívio geopolítico fez até o ouro recuar 0,26%, para fechar em US$ 4.623,7 por onça troy. Foi pouco, mas interrompeu uma longa trajetória de altas sucessivas.
Embora de fato o Irã tenha ao menos adiado a execução de um acusado de participar dos protestos, Erfan Soltani, de 26 anos, o motivo do recuo não é a interrupção da "matança". Trump foi "dissuadido" por Arábia Saudita, Turquia, Catar, Omã e Egito, segundo fontes do Financial Times. O presidente americano teria sido alertado das "graves repercussões" do ataque, inclusive nos preços globais do petróleo e do gás em pleno inverno no Hemisfério Norte.
Para lembrar, o Irã não só tem uma expressiva contribuição no abastecimento. Também controla o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo que circula pelo mundo. Na véspera, o país havia sido descrito como "o centro nervoso do mercado global de petróleo por Ben Cahill, diretor de mercados e políticas de energia do Centro de Análise de Sistemas Energéticos e Ambientais da Universidade do Texas.






