
A aventura de Daniel Vorcaro no sistema financeiro custou caro para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – será preciso desembolsar R$ 50 bilhões –, mas também afetou cofres estaduais e, portanto, as contas públicas. A operação da Polícia Federal (PF) que mira o presidente e diretores do Rioprevidência, o regime próprio de previdência social do Estado do Rio, busca explicações para a aplicação de quase R$ 1 bilhão no Master.
Para preocupação dos 235 mil beneficiários do Rioprevidência, ao contrário dos clientes de produtos de crédito do banco liquidado, o tipo de aplicação feita por seus dirigentes não tem qualquer garantia real, como o FGC. A entidade que deveria cuidar de garantir ao longo de décadas o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores do Estado do Rio aplicou no conglomerado de Vorcaro cerca de R$ 970 milhões em menos de um ano – de novembro de 2023 a julho de 2024.
E a Rioprevidência teria concentrado essas operações em Letras Financeiras de um banco privado com histórico acanhado – até antes da liquidação –, instrumento que inadequado para preservar patrimônio. É uma completa imprevidência. A PF batizou a operação de "barco de papel" e ainda explicou se tratar de referência a ativos financeiros com alto risco de crédito, lastro frágil ou nenhuma garantia real em caso de calote. Descreve ativos dos quais uma entidade previdenciárias deveria ficar longe.
O que a PF não diz, mas nem precisa, é que investiga quais foram os "incentivos" para que os gestores escolhessem essa modalidade muito arriscada em vez de investir em alternativas mais seguras para o público a que se destina. De tão atípica, a situação já era investigada antes da liquidação do Master. Dois dos investigados já haviam sido desligados do Rioprevidência.
Ainda não está claro se todo esse valor vai se somar à dívida do Estado do Rio, que já atinge cerca de R$ 225 bilhões. Com Rio Grande do Sul e Minas Gerais, o Rio está entre os Estados mais endividados: os três representam 89% da dívida das unidades de federação com a União.
A essa perda para as contas públicas se soma o aporte estimado em R$ 4 bilhões que o Distrito Federal (DF) terá de fazer para sustentar o Banco de Brasília (BRB). O banco público recebeu determinação do Banco Central (BC) de provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master, estimadas em até R$ 12 bilhões.
Para os cidadãos do DF, a necessidade de injetar dinheiro no BRB por suas ligações com o Master vai custar 22 mil moradias populares. Ou 20 hospitais de grande porte. Ou 200 unidades de pronto atendimento à saúde (UPAs). Ou 700 creches.


