
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Rio Grande, na terça-feira (20), parece tardia para quem acompanhou o processo que levou à retomada da construção naval na cidade do sul do RS. O objetivo principal é carimbar, com sua presença, a impressão digital desse movimento cercado tanto de esperança quanto de ceticismo.
Apesar de essa história ter começado no final de 2024, com a vitória da Ecovix no primeiro leilão da nova etapa de contratação de embarcações, só agora terá efeito prático. Para entender a novela, uma informação é essencial: Rio Grande tem a maior infraestrutura para construção de navios da América Latina, fruto de investimento feito no final da primeira década dos anos 2000, considerado imprudente por muitos especialistas em infraestrutura.
Com o fracasso da aventura naval, a dona do dique seco, Ecovix, entrou em recuperação judicial. O que ajudou a encerrar essa fase foi uma versão mais cautelosa do incentivo à indústria nacional do segmento, demandada por Lula à Petrobras. Quando detalhou à coluna como seria o processo, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, frisou que, desta vez, o foco seria "ir aos poucos, para não correr o risco de dar passos largos e tomar um tombo".
Com as novas regras, a Ecovix venceu duas etapas de licitação, favorecida tanto pela existência do dique seco quanto por milhares de trabalhadores treinados no auge do polo naval gaúcho. Segundo o CEO da empresa, hoje existem em Rio Grande 5 mil metalúrgicos desempregados que precisam ser ocupados.
Com as encomendas já garantidas, a empresa projeta a contratação de 2,9 mil pessoas em Rio Grande, mas tem planos mais ambiciosos. Estão na sua agenda ao menos outra duas disputas: a de navios empurradores e barcaças, que teve edital publicado em outubro, e outra para navios de médio porte, lançada em novembro, ambas pela Transpetro.
Por que a construção de navios será retomada
A Transpetro, empresa de logística da Petrobras, faz licitações para a construção de 25 navios destinados à petroleira estatal. Conforme seu presidente, Sergio Bacci, a retomada da construção naval está sendo feita de forma cautelosa, para evitar a repetição de erros do passado.
A Ecovix venceu a primeira dessas licitações, para fazer quatro navios do tipo handy, com contrato estimado em R$ 1,5 bilhão. Também ganhou parte da segunda, com o Lote B, para cinco navios gaseiros, com valor semelhante. Na mesma rodada, outra empresa foi selecionada para o Lote A, que inclui outros três navios gaseiros.
Outras empresas contempladas
No âmbito do Programa Mar Aberto, Lula também vai assinar em Rio Grande contratos para a construção de embarcações em outros Estados. Além da novidade dos cinco navios gaseiros em Rio Grande, no Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, construirá as 18 barcaças e, em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, vai construir os 18 empurradores. O investimento total é de R$ 2,8 bilhões, com potencial de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.



