
Ao dizer, nesta sexta-feira (23) que não é justo os pobres serem "sacrificados" enquanto "um cidadão" do banco Master "deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva forçou a inimizade com Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada pelo Banco Central (BC). Obviamente, mira na disputa eleitoral, mas também avisa aliados de que não pretende "passar pano", ou seja, não será tolerante com o escândalo.
Mal construiu a frase, fez questão de acrescentar "tem gente que defende". Certamente, deve ter ouvido muitos advogados informais do banco e de seu dono. Embora até agora o político comprometido diretamente pelo depoimento de Vorcaro tenha sido o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não se sabe onde as conexões do ex-banqueiro podem levar. Há suspeitas, inclusive, de que cheguem perto do Planalto.
Lula dá razão a seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, nas primeiras manifestações depois da volta das férias, fez questão de afirmar que a fraude do Master pode ser a maior da história do país. Escolhe lado em disputa interna do partido.
Além de prejuízo a bancos privados, que terão de repor as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Master provocou gastos nos públicos, como Banco do Brasil e Caixa, além de danos ao Estado do Rio e ao Distrito Federal. No depoimento que foi tornado público nesta sexta, também admitiu que a cobertura do FGC fazia parte da sua lógica de negócios. Os clientes correriam risco, mas seriam amparados pelo dinheiro dos demais, mais prudentes.
Essa manifestação forte foi também a primeira em mais de dois meses, desde que o Master foi liquidado pelo Banco Central (BC), em 18 de novembro de 2025. Foi, portanto, bastante calculada. Lula ainda está atrasado: com a liquidação também do Will Bank, o tamanho da conta da aventura do Master para o FGC encosta em R$ 50 bilhões.






