
A expectativa dominante ainda é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se limite, na quarta-feira (28), a sinalizar de forma mais clara uma redução no juro básico em março. Mas o IPCA-15 de janeiro, apresentado nesta terça-feira (27), aumentou o tamanho da minoria que espera, sim, um corte já ao final desta reunião.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 é idêntico ao indicador "cheio", referência oficial para a inflação no Brasil. Só é calculado em datas diferentes, de meados do mês anterior a meados do atual. Ficou em 0,2% em janeiro, ante projeção de mercado de 0,25%. O resultado já fez caíram os juros futuros, que buscam refletir os movimentos da Selic.
Por isso, conquistou mais adeptos para a tese ainda minoritária de que há espaço para corte já amanhã. Essa corrente também foi reforçada por declarações de Tiago Berriel, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC e atual estrategista-chefe da BTG Pactual Asset Management. Na visão do economista, "é difícil encontrar motivo para não cortar a Selic em janeiro".
A referência de Berriel não é o IPCA-15, mas a inflação "no horizonte relevante" do BC, ou seja, o segundo trimestre de 2027, que estaria projetada em 3,1%, um desvio mínimo em relação ao centro da meta. É esta que costuma ser avaliada nas discussões do Copom.
Berriel também cita o forte ciclo de baixa projetado pelo Relatório Focus, não só de 2,75 pontos percentuais para este ano, mas outros 4,5 pontos até o fim de 2027. Essa estimativa está condicionada pela expectativa do mercado sobre o resultado da eleição presidencial.





