
Parecem infinitos os desdobramentos do escândalo do Master. Nesta quarta-feira (21), o Banco Central (BC) também liquidou o Will Bank, o banco digital do conglomerado financeiro de Daniel Vorcaro. Já é a terceira instituição financeira liquidada extrajudicialmente pelo BC que faz parte do ecossistema mergulhado em suspeitas.
Infelizmente, não é possível garantir que não haja desdobramentos. Além do Master, do Will e da ex-Reag, que não era controlada por Vorcaro mas se relacionava com o seu ecossistema, ainda existe ao menos uma inquietação, com o banco Pleno, comprado pelo ex-sócio do Master Augusto Ferreira Lima, que já estava em má situação antes do negócio.
E como a especialidade dessas casas era montar fundos conectados como bonecas russas – um dentro do outro –, não é possível afastar a hipótese de mais sustos à frente. Surgiu uma nova camada de conexões: como a Mastercard executou garantias dadas para transações com o Will pelo grupo Master, essa bandeira de cartão de crédito americana se apropriou de 6,93% do capital do Banco de Brasília. Soube-se só agora, portanto, que Vorcaro tinha participação no BRB.
Para quem não entende como uma instituição que pertencia a um banco liquidado pode continuar funcionando, é bom reforçar que o Will havia sido colocado sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet) no mesmo dia em que o BC decretou o fim das atividades do Master. Esse regime, muitas vezes, é uma ante-sala da liquidação, que dá uma chance de seguir funcionando até a normalização ou para encontrar a famosa "solução de mercado": venda para outro grupo.
Esse foi um dos argumentos do BC para autorizar a venda de um banco chamado Voiter – e que antes se chamava Indusval – para Lima: seria uma solução de mercado, com um novo controlador disposto a injetar dinheiro para colocar o banco nos eixos. Nesse caso, é uma tese que ainda está em teste.
E sempre é bom destacar: já são três, talvez sejam quatro, mas nenhum desses bancos em dificuldades representa risco sistêmico, ou seja, ameaça as demais instituições financeiras. Só confirma, mesmo, que esse é o momento mais delicado no setor depois da crise global de 2008 e dos programas de ajuda pós-Plano Real, Proer e Proes.



