
Estava previsto para esta terça-feira (27) o depoimento de um personagem-chave no caso Master, o ex-sócio Augusto Ferreira Lima, que saiu para comprar seu próprio banco, o hoje Pleno, e está no meio de outro negócio suspeito. A defesa alegou que não havia tido tempo para ler todos os autos do processo, e a Polícia Federal (PF) aceitou o pedido de adiamento, ainda sem nova data.
Baiano, o empresário conhecido como Guga Lima desenvolveu o CredCesta, cartão para crédito consignado de funcionários públicos estaduais, desenvolvido quando o governador da Bahia era o hoje ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.
Lima entrou no Master de Daniel Vorcaro em 2019, levando com ele o CredCesta. Saiu em 2024 para criar o Pleno a partir da compra de outro banco, chamado Voiter, e voltou a transferir a estrutura de crédito consignado para a nova instituição. Hoje, os clientes devedores dos cartões do Master são orientados para quitar suas pendências no banco do ex-sócio de Daniel Vorcaro.
O objetivo declarado dos depoimentos desta semana no caso Master não era a conexão com o Pleno. O foco é desvendar as circunstâncias da fraude estimada em R$ 12,2 bilhões, que envolve o banco de Vorcaro, o Banco de Brasília (BRB), mais uma terceira parte, a na época recém-criada Tirreno e, ainda, uma intermediária. Mesmo sem ter negócios registrados na época, a Tirreno teria vendido ao Master uma carteira de crédito no valor de R$ 6,7 bilhões, depois revendida ao BRB por R$ 12,2 bilhões.
No entanto, em seu depoimento, Vorcaro disse à PF que não havia pago qualquer valor à Tirreno, com a qual estaria em contato por meio de uma quarta empresa, a Cartos. Por essa versão, o negócio não teria sido fechado. A pergunta seguinte foi o que, então, o Master teria vendido ao BRB por R$ 12,2 bilhões. O dono do banco cuja sobrevida dependia dessa transação afirmou que não sabia.
Segundo a PF, a Cartos negou ter cedido créditos à Tirreno. Também não foram encontrados, ao menos até agora, pagamentos do Master à Tirreno, mesmo após o banco de Vorcaro ter recebido R$ 12,2 bilhões em dinheiro do BRB – provocando perdas a um banco público estadual.





