
As empresas do Rio Grande do Sul estão se atentas à necessidade de preparação para reforma tributária, que inicia longo período de transição neste ano até 2033. Um levantamento do Tax Group mostra que as 41 companhias gaúchas consultadas têm índice de prontidão médio de 27,4% e ficam só atrás de firmas de São Paulo (29,6%) e Mato Grosso (32%).
A pesquisa se baseia em relatos de 331 empresas nacionais com faturamento anual de R$ 15 milhões a acima de R$ 1 bilhão. O índice de prontidão é calculado a partir de cinco perguntas relacionadas ao grau de adequação de sistemas, formulação de estudo de fluxo de caixa e revisão e ajuste de contratos, compras e preços considerando as mudanças previstas na reforma tributária.
No Rio Grande do Sul, 33,3% das empresas já concluíram a transição de sistemas e 40,7% têm projetos em andamento. Na soma, 74% das companhias do Estado venceram ou estão vencendo a etapa operacional que tem componentes obrigatórios a partir deste ano de testes, como a emissão de notas fiscais eletrônicas com inclusão de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), dividido entre Estados e municípios, ainda que com alíquota simbólica.
O índice de 74% supera a média nacional (63,1%) em 11 pontos percentuais. O levantamento avalia que a indústria local – conforme o Tax Group "historicamente exportadora e habituada a controles rígidos" – entende que "a principal barreira de entrada para a reforma tributária é a capacidade de processamento de dados".
A maior maturidade operacional, no entanto, esconde "miopia comercial preocupante", conforme os autores. Apesar da liderança em adequação de sistemas e da consciência financeira acima da média, com o dobro de estudos de fluxo de caixa concluídos em relação ao contexto nacional, 74,1% das empresas ainda não iniciaram qualquer revisão nas tabelas de preços.
Isso sugere que a maioria poderá entrar no novo regime tributário com a "máquina pronta para emitir notas fiscais corretamente, mas operando com margens de lucro equivocadas por falta de recálculo estratégico na ponta da venda". Frentes como precificação e contratos ainda são vistas erroneamente como ajustáveis "com o carro andando", concluem os responsáveis pelo levantamento.
Prontidão regional
- Adequação de sistemas:
33,3% | Sim
40,7% | Em andamento
25,9% | Não
- Estudo de fluxo de caixa:
22,2% | Sim
11,1% | Em andamento
66,7% | Não
- Revisão de contratos:
7,4% | Sim
25,9% | Em andamento
66,7% | Não
- Ajustes no processo de compras:
7,4% | Sim
22,2% | Em andamento
70,4% | Não
- Revisão da tabela de preços:
7,4% | Sim
18,5% | Em andamento
74,1% | Não
*Colaborou João Pedro Cecchini




