
Enquanto o mundo ainda se inquieta com a movimentação errática do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o mercado financeiro no Brasil entrou em fase de decidida euforia. A bolsa de valores subiu mais 1,8%, para 178,8 mil pontos nesta sexta-feira, acumulando só nesta semana alta de 8,5%. Pouco antes do fechamento, o Ibovespa chegou ao nível de 180 mil pontos, que não sustentou. O dólar ficou quase parado (+0,05%) abaixo de R$ 5,30, em R$ 5,287.
Boa parte desse movimento tem origem no Exterior: conforme a B3, só entre 1º e 20 de janeiro houve saldo positivo (entre entrada e saída de dólares) ao redor de R$ 8,7 bilhões. Para dar uma ideia do que significa, o valor equivale a mais de um terço de toda a entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa no ano passado, de R$ 25 bilhões.
A aposta em mercados emergentes, como o Brasil, foi acentuada nos últimos dias, com alívio em relação a ameaças de Trump à Groenlândia. Mesmo assim, um indicador de incerteza também sobe sem parar. Nesta sexta-feira (23), o ouro teve nova alta de 1,35% na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), para US$ 4.979,70 por onça-troy. Falta pouco para chegar a US$ 5 mil. Acumula aumento de 20% só em janeiro.
O ouro é considerado um ativo de proteção, que sobe quando o mercado considera o risco elevado demais e foge para essas reservas de valor. Assim como o metal dourado, outros preciosos têm subido, como prata e platina. No mercado, o ouro vem sendo usado como hedge (mecanismo de segurança) contra a imprevisibilidade da política americana. Boa parte dessas compras é atribuída a bancos centrais de países emergentes, que estariam trocando reservas em dólares por ouro.
E nesta sexta-feira (23), o petróleo voltou a subir 2,8%, depois que Trump voltou a ameaçar o Irã com uma "grande frota" que estaria a caminho e agiria caso o país voltasse a reprimir manifestantes ou retomasse seu programa nuclear.




