
A expectativa dominante era de manutenção do juro básico, e foi o que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) confirmou nesta quarta-feira (28). Desta vez, porém, não quis correr o risco de ser mal-entendido, como ocorreu antes: escancarou que vai cortar no dia 18 de março, data do próximo encontro. E cravou no comunicado:
"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta".
A decisão foi por unanimidade, mas em vez dos habituais nove diretores, votaram apenas sete. É que o mandato de dois – Diogo Guillen, de política econômica, e Renato Gomes, de organização do sistema financeiro – terminou em dezembro passado, e o governo sequer indicou, até agora, quem serão os substitutos.
Embora nos últimos dias tivesse aumentado a minoria que contava com corte agora, o Copom optou por não frustrar a ampla maioria. As apostas, agora, passam a ser de quanto será o corte em março. Como o ano é eleitoral, há expectativa de que o BC tente concentrar a redução antes do período mais quente da campanha.
Como a taxa básica segue em 15% e o mercado aposta em 12,25% no final deste ano, o Copom tem 2,75 pontos percentuais para tirar entre março e dezembro. São sete reuniões no período. A um ritmo de corte de 0,5 ponto cada, seriam necessárias seis – uma com poda limitada a 0,25 ponto – para chegar lá.

