
A segunda fase da operação Compliance Zero – o nome usa a palavra em inglês que define o cumprimento de leis e regras e já avalia ser inexistente – muda o debate dos últimos dias sobre Daniel Vorcaro. Até a terça-feira (13), o que se discutia era a proximidade do ex-banqueiro dos círculos de poder, o que ajudava a explicar decisões exóticas de cortes como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta quarta-feira (14), o que está em foco é a atividade de Vorcaro não acima, mas abaixo da lei.
A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão que não só com alvo em familiares de Vorcaro, também em outros empresários – como o polêmico Nelson Tanure, que chegou a avaliar a compra da Braskem – e João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. Pausa para explicação: a Reag é a gestora de investimentos investigada também na operação Carbono Oculto, que mirou a infiltração do PCC em negócios formais e até na Faria Lima, onde atuava Mansur.
Um dos focos é o destino do dinheiro que teria sido desviado do Master para uma série de supostos laranjas, por meio de uma teia de fundos destinada a mascarar o trânsito desses recursos. Essa foi uma das informações dadas pelo Banco Central (BC) em resposta ao pedido do Tribunal de Contas da União (TCU). Ou seja, existe um aparente vínculo entre a empresa que administrava um cubo mágico de conexões com o PCC e o Master.
Conforme o BC informou ao TCU, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações "em desacordo com normas do sistema financeiro nacional, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez". Ao menos dois fundos teriam mascarado a retirada de recursos do banco de Vorcaro em nome de terceiros.
Um dos objetivos da segunda fase da Compliance Zero é exatamente bloquear e apreender ativos de cerca de R$ 5,7 bilhões – cerca de metade da fraude estimada no Master, de R$ 11,5 bilhões. Na terça-feira (13), o ministro da Fazenda deu declarações que, à luz da operação de hoje, soam proféticas. Fernando Haddad não só disse que a fraude do Master pode ser "a maior da história do Brasil", mas fez uma frase ainda mais antecipatória:
— Penso que houve ali (na atuação para conciliar TCU e BC) uma convergência sobre como ajudar, como fazer o melhor para o país conhecer a verdade, apurar responsabilidades, eventualmente obter ressarcimento dos prejuízos causados.
A operação está lançada, é preciso acompanhar para verificar se cumprirá o vaticínio.




