
A bolsa de valores do Brasil, a B3, somou 32 pontuações máximas nominais em 2025, mas não se aproximou tanto de seu recorde real – atualizado pela inflação – quanto no início deste 2026. Embora seja representado por pontos, que parecem não ser afetados pelo tempo, o Ibovespa é formado pelos preços das ações que o compõem. Se esses valores fossem corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro passado, dado de inflação oficial mais recente, o recorde real seria de 195,2 mil pontos, o nível registrado em 20 de maio de 2008 (veja detalhes abaixo).
Isso significa que, considerando o fechamento de sexta-feira (23), a bolsa está 8,4% distante da sua melhor forma. Parece muito, só que não: caso mantivesse o ritmo da semana passada, o Ibovespa poderia quebrar o recorde real nesta sexta-feira (30). É claro que, exatamente por ser rara, a alta acumulada na semana anterior dificilmente será repetida, ao menos em cinco dias.
Inclusive porque, sempre que acumula uma alta tão forte, os investidores aproveitam para embolsar ganhos. É o que ocorre nesta segunda-feira (26), com o Ibovespa mostrando recuo de 0,2% até o início da tarde. Mas já perto do nível de 180 mil pontos, a quebra do recorde real já não parece tão distante.
— A probabilidade de que nos próximos cinco anos a bolsa tenha desempenho melhor do que nos últimos 20 anos me parece bem elevada. O ponto de partida hoje da bolsa e da economia do Brasil são melhores do que eram há 20 anos — avalia Valter Bianchi Filho, sócio da Fundamenta Investimentos.
Uma avalanche de recursos de investidores estrangeiros impulsionou o Ibovespa no início deste ano. As tensões geopolíticas causadas por Donald Trump fizeram agentes reduzir apostas em ativos dos EUA e aumentar em mercados emergentes, como Brasil. Esse movimento também foi observado no ano passado, mas de forma mais distribuída ao longo do ano. Neste janeiro, Trump sacudiu os pilares de sustentação do "mundo livre" e acentuou a busca por alternativas ao dólar.
Outro fator que dá força à bolsa é o juro, diz Bianchi Filho. A expectativa de corte em março tende a significar trava menor na atividade econômica e melhor desempenho de empresas no futuro. O câmbio baixo e o juro menor nos EUA, acrescenta o sócio da Fundamenta Investimentos, também contribuem para leitura de afrouxamento monetário próximo.
Recorde real em 2008
Bolsa bater recorde em ano de crise financeira parece estranho. E de fato é: o Ibovespa chegou à máxima real em 2008 quando o ciclo de alta das commodities (matérias-primas básicas, como soja, petróleo ou carne, produzidas em larga escala no Brasil) atingiu seu ápice. Logo depois, a bolha imobiliária nos EUA estourou, e a bolsa brasileira terminou o ano com queda de 41,2% na pontuação nominal.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo





