
A conta até baixou R$ 400 milhões – serão R$ 40,6 bilhões em vez de R$ 41 bilhões – e cortou à metade o número de correntistas, de 1,6 milhão para 800 mil. Mesmo assim, a compensação para quem tinha aplicações no Master ainda vai consumir cerca de um terço dos recursos disponíveis no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Essa indenização a quem aceitou o "risco Master" deve ser a última do tipo. Logo depois do anúncio da venda do banco de Vorcaro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ajustou as regras do FGC. Se a data não for antecipada, a mudança deve valer a partir de 1º de junho. Seu principal objetivo é desencorajar práticas agressivas na captação de recursos, caso da promessa de retorno mais alto do que a média do mercado.
Na prática, instituições com alta alavancagem – empréstimos que somem mais de 10 vezes o valor de seu patrimônio líquido ajustado – terão de aumentar sua contribuição. Hoje, os bancos pagam a cada mês 0,01% do total dos depósitos que podem ser protegidos pelo fundo. Quem quiser alavancagem maior terá taxa duplicada, chamada de "contribuição adicional".
O custo maior deve desestimular a oferta de produtos que pagam muito acima da média do mercado, mas também é necessário que os ácidos críticos da corrupção no país usassem os mesmos critérios morais ao direcionar suas aplicações.
Como a coluna observou logo depois da liquidação, pela norma o fundo é composto por aportes de bancos, mas é claro que o dinheiro é cobrado de todos os que usam o sistema financeiro, na forma de spread (a diferença entre a taxa cobrada de empréstimos do juro básico) ou de taxas sobre investimentos.
No efeito líquido, consumidores de produtos mais cautelosos vão pagar pela aventura de Daniel Vorcaro como banqueiro e de seus clientes que apostaram em CDBs que pagavam muito acima da média de mercado, mesmo os que foram alertados sobre os riscos envolvidos. O processo de compensação está começando nesta segunda-feira (19), exatos 10 dias depois que a coluna registrou a projeção do prazo.



