
Na segunda fase da operação Compliance Zero, um dos alvos não era óbvio para quem passa longe do mercado financeiro. A apreensão do celular do polêmico empresário Nelson Tanure, que chegou a avaliar a compra da Braskem, no entanto, não surpreendeu os mais informados. Mas só depois da conexão feita pela Polícia Federal entre Tanure e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, é que detalhes começaram a circular.
Uma das teses, anterior à liquidação, é a de que Tanure seria o "controlador oculto" do Master. E não é palpite de amador, por ser complementado por um detalhe de mercado: essa posição seria garantida pela posse de uma debênture conversível. "Debênture" é um título de dívida privada e "conversível" significa que pode ser cobrado em ações – no caso, as do Master.
Em uma entrevista concedida antes da queda, Vorcaro afirmou:
— Não há segredo nenhum sobre o fato de termos vários investimentos juntos, ele (Tanure) é um grande parceiro. Para o banco, é ótimo porque o Nelson é um investidor serial e a gente apoia com serviços. Quando vemos uma oportunidade, entramos investindo também. Temos uma ligação estreita de negócios, mas não societária dele no banco.
Uma dessas conexões circulou pelo Rio Grande do Sul. A Esh Capital disputava com Tanure fatias da construtora Gafisa e, nesse processo, contratou um escritório gaúcho. Vorcaro e seu sócio no Master Maurício Quadrado também eram acionistas da construtora.
Agora se sabe, inclusive, que foi no processo de discussão desse caso que foi tornada pública a suspeita de que Tanure seria o verdadeiro dono do Master. Todos os envolvidos negaram, como é de praxe.
Entre as várias parcerias entre Vorcaro e Tanure está a presença de ambos na Light, a concessionária de energia do Rio de Janeiro. Quando a fragilidade do Master ficou clara e o ex-banqueiro precisou vender ativos para injetar recursos e tentar evitar a liquidação, foi revelada sua fatia de 15% na distribuidora, que tem Tanure como um acionista de referência.



