
Na quinta-feira (15), seis países europeus enviaram militares à Groelândia, diante das sucessivas ameaças do presidente Donald Trump. Não são tropas, mas poucas dezenas de especialistas que projetam esforço maior ao longo do ano. No caso da Venezuela e do Irã, está claro o interesse na substituição dos governos atuais por outros mais sensíveis aos interesses americanos, especialmente relacionados a petróleo. A cobiça pela Groenlândia, porém, não tem origem tão óbvia.
Os 56,8 mil habitantes vivem em 2 milhões de quilômetros quadrados – quase o dobro do Reino Unido, com suas quatro nações – da maior ilha do mundo que não é um país, mas território autônomo do Reino da Dinamarca. Pela geografia, faz parte da América do Norte. Mas tem laços profundos políticos e culturais com a Europa há pelo menos mil anos. Embora os dinamarqueses tenham colônias no local desde 1721, só se tornou parte oficial do país em 1953.
Quando insiste que a posse da Groenlândia é uma questão de "segurança nacional" para os EUA, Trump afirma que há intensa presença de chineses do território:
— Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas obteremos o território de um jeito ou de outro.
Entre os motivos da cobiça citados por especialistas, um agrada ao negacionista da mudança do clima: se a alteração do planeta embute uma oportunidade, talvez esteja mesmo ocorrendo. Conforme a agência espacial americana, a Nasa, a superfície de gelo ao redor do Polo Norte diminui 13% a cada década. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), pode desaparecer entre 2050 e 2070. Isso reduziria o tempo de navegação entre a China e a Europa, mas daria mais poder à Rússia, que tem 53% do litoral no Ártico. Então, Trump gostaria de ter portos na região.
E não quer ser apenas o dono de sete mares. Especula-se que a Groenlândia tenha uma das maiores reservas de terras raras do planeta, grandes jazidas de petróleo e ainda ouro, diamantes e outras spedras preciosas. Ou seja, tem o combo completo da riqueza mineral. Mas Trump a quer pelo que não tem: participação americana na exploração. O projeto mais desenvolvido, chamado Kvanefjeld, é controlado por uma empresa local com fatia de 12,5% da chinesa Shenghe Resources.






