
Uma mudança na equipe de defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro acendeu luzes de emergência em Brasília e além. Há anos com a incumbência de representar os interesses jurídicos do ex-dono do banco Master, Walfrido Warde abandonou seu posto no caso. Como o advogado é um feroz crítico do instrumento, surgiu a especulação de que seu contratante estaria considerando um delação premiada.
Caso se confirme e seja tão abrangente quanto o alcance de Vorcaro parece ser, com influência na política, na economia e no Judiciário, sua delação pode deixar para trás a que foi chamada de "do fim do mundo" – a de 77 executivos da então Odebrecht na operação Lava-Jato. A hipótese foi negada pelos profissionais que se mantêm na defesa do ex-banqueiro, mas a essa altura o pânico já escalou.
Nesta quinta-feira (22), o jornal O Estado de S.Paulo publica uma reportagem em que a esposa do irmão de Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nega que seu marido seja sócio de um resort no Paraná. Na semana passada, o mesmo jornal havia revelado que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, participou da compra de parte da fatia de dois irmãos e um primo de Toffoli nesse empreendimento.
Enquanto os rumores não se acalmam, parte dos ministros do STF tenta convencer Toffoli a devolver o caso Master à primeira instância – de onde nunca deveria ter saído – enquanto interlocutores do relator garantem que ele não pretender recuar.
Em nota, os advogados que permanecem na defesa de Vorcaro negaram a existência de proposta ou negociação de delação premiada. Afirmam que o ex-banqueiro "reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal".
O que seria colaborar com as autoridades, nesse caso? Essa é a dúvida que estremece boa parte dos círculos de poder do país.





