
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
O peso do tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros se espraia pelo mapa do RS, mas aparece com mais força nas regiões do Vale do Rio Pardo, Metropolitana e da Serra. Durante os quatro meses sob sanção do governo de Donald Trump, 138 municípios do Rio Grande do Sul registraram queda nas exportações para os americanos. Canoas, São Leopoldo, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul e Guaíba foram as cidades com as maiores quedas entre agosto e novembro (veja lista abaixo).
O levantamento é da coluna, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). As exportações gaúchas para o mercado americano registraram diminuição de 39% no acumulado dos quatro meses de sobretaxas, totalizando perda de US$ 254,3 milhões.
Na perda de valores, Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, é a cidade mais afetada pelas tarifas. As vendas foram de US$ 60,1 milhões entre agosto e novembro de 2024 para US$ 14,6 milhões em período igual deste ano, queda de 75,7%. São US$ 45,5 milhões que deixaram de entrar no município. Empresas instaladas em Santa Cruz do Sul exportam tabaco para o mercado americano, produto taxado em 50%.
São Leopoldo e Montenegro, duas cidades com forte atuação da indústria de armas e munições, setor igualmente tarifado em 50%, também registraram queda firme nas exportações para os EUA.
As vendas de Canoas para o mercado americano caíram 30%, resultando em perda de US$ 22,9 milhões, sempre comparando o período entre agosto e novembro de 2024 com o mesmo recorte de tempo deste ano. O setor de transformadores, que tem considerável presença em Canoas, puxa a queda.
É bom lembrar que a suspensão de algumas tarifas anunciada por Trump em novembro vale sobretudo para alimentos. Ramos ligados a indústrias de bens manufaturados, como máquinas ainda pagam taxa de 50% para entrar no mercado americano.
Em Caxias do Sul, município da serra gaúcha mais afetado pelas tarifas, a queda nas exportações para os EUA vem da diminuição nos envios de peças não montadas para freios e embreagens, com tarifaço de 50% (exceto se destinadas à aviação), e partes e acessórios de veículos, com sobretaxa setorial de 25%.
Apesar de estarem isentos de alíquotas de importação desde setembro, bens que servem de matéria-prima para celulose empurram para baixo as vendas de Guaíba para o mercado americano.
E Porto Alegre?
A capital Porto Alegre também registra menor exportação para os EUA nos quatro meses de tarifaço. As vendas para lá foram de US$ 11,4 milhões entre agosto e novembro de 2024 para US$ 6,2 milhões no mesmo período deste ano, queda de 45,6% puxada pelo envio reduzido de calçados, sobretaxados em 50% no mercado americano.
*Colaborou João Pedro Cecchini



