
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
O estresse que marcou o mercado na sexta-feira (5) é uma pequena mostra do que poderá ser observado com mais frequência em algumas ocasiões nos próximos meses. Conforme o período eleitoral vai se aproximando, decisões dos espectros políticos com mais força na disputa costumam mexer com os ânimos de investidores.
A queda de 4% na bolsa brasileira e a disparada de 2,31% no dólar são uma resposta às incertezas causadas na corrida ao Palácio do Planalto diante da confirmação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal candidato da direita à Presidência em 2026.
O mau humor do mercado em relação à benção de Jair Bolsonaro ao filho "zero um" ocorre na esteira de uma série de incômodos, que vão desde a competitividade de Flávio contra Lula até insegurança jurídica envolvendo o nome indicado pela direita, segundo o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Ele reforça que o nome de Flávio é lido pelo mercado como um caminho mais fácil para reeleição de Lula, aumentando as incertezas no campo fiscal:
— A direita não tem uma unidade hoje. E, em um segundo mandato do Lula, o temor do mercado financeiro também é de que essas questões fiscais, que têm preocupado já há algum tempo, possam se acirrar e ficar ainda mais difíceis, dificultando o equilíbrio fiscal.
Aliás, vale lembrar que nesse mesmo período do ano passado, entre o fim de novembro e início de dezembro, o mercado se estressou — e com mais força — diante da política fiscal do governo Lula. Naquela época, o dólar bateu recordes diante da insatisfação com o anúncio da isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil junto do pacote de corte de gastos. Isso é um exemplo da relação entre setor financeiro e governo Lula.
Segundo Agostini, esse estresse do mercado, em geral, é momentâneo e instantâneo. Uma reação ao fato. Como já observamos em outras ocasiões de resposta a incertezas políticas, os ativos costumam se acomodar conforme os agentes vão digerindo as informações e reflexos nos dias seguintes, conforme o economista.
Agora, resta esperar como serão as próximas reações, com a disputa política ganhando mais corpo e o desempenho dos candidatos aparecendo com maior clareza nas pesquisas.
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