
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Seguindo tendência apontada pelo mercado nas últimas semanas, a inflação entrou para o intervalo na meta em novembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses desacelerou para 4,46% com o dado do 11º mês do ano — abaixo do limite da margem de tolerância máxima, que é de 4,5%, pela primeira vez desde setembro de 2024.
O economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), reforça que boa parte desse pé no freio no indicador responde ao comportamento dos alimentos dentro da inflação ao longo da segunda metade deste ano:
— Acho que a principal contribuição para essa inflação na meta é o comportamento dos alimentos. No segundo semestre, a alimentação no domicílio só registrou queda. Foram quedas pequenas, nada absurdo, mas foi muito importante essa desaceleração, porque no início do ano a alimentação do domicílio acumulava alta em torno de 8%, agora tá 2,5%. Então, isso foi decisivo pra gente ter um IPCA dentro do intervalo de tolerância.
Braz destaca que a questão climática ajudou nesse processo, criando ambiente para safras melhores e mais estáveis no país. Isso aumentou a oferta de comida, ajudando a segurar altas mais expressivas nos preços de alguns itens, segundo o economista. Para dezembro, Braz ainda estima alimentação em bom comportamento. Mesmo com eventuais altas, o grupo deve seguir com uma taxa muito baixa para o período:
— Então, com certeza, o IPCA deve fechar 2025 mais próximo de 4% do que de 4,5%. Pelos números que a gente já tem aqui da coleta de dezembro, acho que o IPCA fecha esse ano com alta de 4,1%.
Braz ressalta que ainda existem outras fontes de pressão no IPCA, como serviços livres e preços monitorados, que seguem em patamar elevado, causando certo desconforto na autoridade monetária mais confortável:
— Longe da inflação ter deixado de ser um problema, ela continua nos desafiando. E eu acho que ainda merece a atenção da autoridade monetária.
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