O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.

A nova conversa entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (2), reforça a porta aberta na negociação entre os dois países, coloca mais um ingrediente na pauta, mas não significa uma solução rápida para as pendências ainda existentes.
O fato de Lula reforçar, no telefonema de 40 minutos, a necessidade de seguir buscando uma saída para os produtos ainda tarifados mostra reforço do Brasil nessa pauta, que segue sem perspectivas de resolução. Ainda fora da flexibilização, setores mais ligados a itens manufaturados, como máquinas e equipamentos, madeira e móveis, ainda vivem um impasse sem alívio na sobretaxa.
André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, avalia que o novo contato entre os dois presidentes é mais uma prova da força da diplomacia brasileira nos últimos meses. Mas entende que a reversão do tarifaço para esses ramos da indústria segue difícil, uma vez que são itens que não estão com uma demanda tão urgente no mercado americano, como era o caso dos alimentos.
— Esses setores têm que procurar outros mercados. Não podem contar apenas com os americanos. E, em meio a isso, os governos federal e estadual têm de ter uma política para amparar esses empresários — reforça Perfeito.
Leonardo de Zorzi, presidente do Sindimadeira-RS, sindicato que representa indústrias de madeira a móveis, um dos mais afetados no Estado e no país, também afirma que esse novo capítulo pode não ter um efeito imediato para o segmento, mas mantém o diálogo e a porta aberta para uma negociação no futuro. No entanto, entende que empresas menores ou menos estruturadas financeiramente tendem a não aguentar mais até a resolução. Ou seja, tendem a fechar operações ou outras medidas mais graves no caso falta de celeridade na negociação.
Novo item na pauta de negociações
Outro ponto de atenção nessa nova aproximação entre os líderes brasileiro e americano é a entrada do combate ao crime organizado na pauta. O peso desse tema dentro das negociações ainda é uma incógnita.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, entende que esse novo ingrediente pode abrir outros caminhos de tratativa entre os dois países:
— Acho que ele (Lula) vai ir em um caminho de dizer: "Olha, acho que é importante para ambas as nações combater o narcotráfico, mas a gente precisa ampliar esse escopo de conversa, de negociação". E ele deve ir nesse primeiro caminho de conversar, mas depois puxar essa questão da sanção das autoridades. Não agora, mas talvez em um segundo momento das negociações.
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