
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
As exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos caíram 50,9% em novembro, mês marcado pela suspensão do tarifaço de 50% sobre café, carne e outros produtos agrícolas brasileiros. Os dados foram apresentados na tarde desta quinta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
As vendas, em valores, diminuíram de US$ 193,8 milhões para US$ 95,2 milhões, comparando o mês passado com período igual do ano anterior. É bom lembrar que, apesar do recuo de Donald Trump nas sobretaxas no último dia 13, boa parte dos principais produtos enviados do RS para os EUA ainda paga alíquota de 50%. Além disso, o alívio ocorreu do meio para o fim do mês.
No acumulado dos quatro meses de vigência do tarifaço, as exportações gaúchas para o mercado americano registraram queda de 39%. Os envios do Brasil para os EUA reduziram em 25,1% no mesmo recorte de tempo.
As vendas de armas e munições contribuíram para redução no saldo comercial do RS com os EUA, com queda de 82,6% nos embarques em novembro, sempre em relação ao mesmo mês do ano passado (veja detalhes abaixo). Também caíram 66,5% as exportações de celulose, produto isento de taxas no mercado americano desde setembro.
O diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do Mdic, Herlon Brandão, relativiza o efeito da retirada da tarifa de 50% sobre alguns produtos brasileiros no mês passado:
— Os exportadores tomaram pé da medida em 20 de novembro, retroativa ao dia 13. Muito possivelmente, ainda não teve efeito. A partir de dezembro, já deve ser possível observar melhor.
Saldo positivo
O RS também diminuiu as vendas para a China em 27,7% em novembro, de US$ 629,2 milhões no mesmo período do ano anterior para 454,7 milhões no mês passado.
Apesar da quedas para dois dos seus principais parcerias comerciais, o Estado teve saldo comercial positivo de US$ 778,1 milhões em novembro. Significa que as exportações gaúchas para todo o mundo foram maiores do que o total das importações de produtos para o Estado. Aumentaram as vendas para Argentina, Indonésia, México, Coreia do Sul e Turquia, para citar só os principais.
*Colaborou João Pedro Cecchini


