
O ano não terminou antes da aprovação de uma injeção de R$ 12 bilhões para dar sobrevida aos Correios. O formato é um empréstimo de um grupo de bancos que inclui Banco do Brasil e Caixa, mas tem a garantia do Tesouro. Isso significa que, se fracassar a nova tentativa de colocar a empresa postal nos eixos, haverá mais um rombo de R$ 12 bilhões nas contas públicas.
Em café da manhã com jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi perguntado sobre a possibilidade de privatizar os Correios. A resposta não surpreendeu até a metade, mas na segunda embutiu possibilidades inesperadas:
– Enquanto eu for presidente, não tem privatização. O que podemos ter é parceria com empresas. Sei que tem empresas italianas querendo vir aqui discutir com os Correios. Pode ter, no máximo, economia mista.
A rejeição a privatizar os Correios soa ideológica, mas na atual situação financeira essa hipótese é considerada simplesmente inviável no mercado. Só até setembro, o prejuízo acumulado é de R$ 6 bilhões, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2024, de R$ 2,1 bilhões negativos. Quem compraria?
O empréstimo será bancado com R$ 3 bilhões cada de Caixa, Bradesco e Banco do Brasil, e mais R$ 1,5 bilhão cada de Itaú e Santander. Os recursos vão financiar um plano de reestruturação que inclui programa de demissão voluntária (PDV), redução das unidades de atendimento e venda de bens da empresa.
A ideia de parcerias estratégicas com empresas privadas, depois ficou claro, veio do Ministério da Fazenda. O já quase ex-ministro Fernando Haddad, que fica no cargo só mais dois meses, sustentou que a presença dos Correios em quase todos os municípios do Brasil gera interesse para novos negócios.
No mercado, "os italianos" são identificados como a Poste Italiane, os correios do país em formato de bota. A estatal italiana já passou por uma reestruturação, com resultado positivo na operação. Hoje, oferece, além dos serviços postais, financeiros e de seguros, valendo-se exatamente de sua presença em todo o território.
Na sexta-feira (19), ao comentar as saídas para os Correios, Haddad apontou exatamente essa hipótese: a oferta de serviços financeiros, como seguros e previdência, nas agências da estatal.
Economistas veem com ceticismo a possibilidade de transformar os Correios em uma sociedade de economia mista, a exemplo de Petrobras e Banco do Brasil. São empresas com participação privada via mercado de capitais, ou seja, com ações negociadas em bolsa. Mas ambas enfrentam o risco de intervenção do governo sempre que considerada necessária. Existem especialistas que veem a situação dos Correios como dramática demais para qualquer tipo de resgate. Para funcionar, terá de contar com muita sorte.


