
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem arco dramático marcante no governo Lula. Assumiu cercado por ceticismo, ganhou a confiança de parte do mercado e perdeu naco importante desse crédito quando fracassou seu projeto de corte de gastos, em dezembro de 2024. Agora, está com os dias contados no cargo: quer sair, no máximo, até abril, com preferência por deixá-lo até fevereiro.
Ainda em novembro, havia chamado a atenção da coluna o número de vezes em que Haddad pronunciara a palavra "sucessor" em entrevista à Globonews. Era o ministro preparando os espíritos para sua indicação de substituto, o atual secretário-executivo do ministério, Dario Durigan. Sua saída virou assunto nacional na véspera de uma nova conquista, a aprovação da redução do "gasto tributário" na Câmara, que ajudou a articular, como fez em muitos outros projetos de interesse econômico.
No mínimo, o governo Lula perde um hábil articulador, perfil raro não só na gestão atual como em quase todos os governos. Haddad pode fazer falta nesse papel durante o ano eleitoral. Em reunião de fechamento de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou a debandada de seus ministros:
— Vou ficar muito feliz que, aqueles que quiserem se afastar se afastem e, por favor, ganhem os cargos que vão disputar, não percam.
Haddad, porém, não tem intenção de disputar cargo eletivo. É candidato de si mesmo para coordenar a campanha de reeleição de Lula, o que envolve algum grau de concorrência interna com o presidente do PT, Edinho Silva.
Caso o indicado de Haddad seja acolhido pelo governo, a Fazenda terá um líder menos identificado com o petismo. Até substituir Gabriel Galípolo, que deixou o posto para assumir a presidência do Banco Central, Durigan tinha política na carreira só em uma curta colaboração com o próprio Haddad, como assessor especial do então prefeito de São Paulo entre 2015 a 2016. Seu cargo anterior era de líder de políticas públicas do WhattsApp no Brasil.





