O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.

Poucos meses após apostar em inflação flertando com o dobro da meta estimada para este ano, o boletim Focus reforçou viés de queda para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano. No relatório desta segunda-feira (1º), o primeiro de dezembro, a expectativa de IPCA caiu para 4,43% ao fim de 2025.
Essa é a terceira queda do indicador no relatório, que reúne a avaliação de instituições do mercado financeiro. O teto da meta de inflação para 2025 é 4,5%.
O economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), afirma que a recente desaceleração da inflação responde, principalmente, à descompressão nos preços dos alimentos, calçada em safra melhor e câmbio mais favorável:
— Até abril de 2025, o boletim Focus previa que a inflação deste ano poderia chegar a 5,7%, quase o dobro da meta. De abril para cá, a safra e o câmbio foram neutralizando o impacto dos alimentos via aumento da oferta. Com isso, a previsão para a inflação de alimentos no domicílio recuou de 8% para 3%, favorecendo o recuo do IPCA.
O novo arrefecimento na projeção de inflação ocorre às vésperas da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Mas até para o colegiado, que sempre está mais de olho no IPCA dos próximos anos, o Focus desta segunda-feira trouxe boas mensagens. Para 2026, a inflação saiu de 4,18%, na semana passada, para 4,17% na atual. Para 2027 e 2028, seguiu nos mesmos patamares.
Ancorar a expectativa de inflação
Braz entende que esse sinais dão mais tranquilidade para o BC no planejamento de início de corte na Selic a partir do ano que vem. Apesar de o cenário internacional seguir oferecendo riscos, a estabilidade nos preços tende a abrir algum espaço para essa inversão na curva de juro, segundo o economista:
— O importante para o Banco Central era ancorar a expectativa de inflação, que no primeiro trimestre parecia perdida dado o aumento da expectativa de inflação para 2025 e anos à frente, naquela época. Agora, a expectativa recua para esse ano e para os próximos. Nesse cenário, os juros podem começar a ser reduzidos
Resta ver como será o comunicado do Copom na reunião da próxima semana. Nas últimas decisões, pouco antecipou sobre o futuro, manteve o tom de arrocho e não deu indícios de quando começará a desidratar a Selic. Agora, as atenções estarão voltadas para o tom do texto. Se seguirá fechado ou deixará mais claro quando será o primeiro recuo no juro básico após cerca de um ano e meio.
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