
Entre arremessos de batatas e queima de pneus, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), mesmo com todas as amarras adotadas para atrair os resistentes ao tratado, não será assinado neste sábado (20). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou aos líderes dos 27 países que compõem a UE, que estão reunidos nesta quinta-feira (18) em Bruxelas, na Bélgica, que a assinatura será adiada para janeiro, segundo a agência de notícias AFP.
O futuro do pacto com o Mercosul ficou incerto depois de a Itália se juntar à oposição liderada pelos franceses:
— Seria prematuro assinar o acordo nos próximos dias — afirmou na quarta-feira (17) a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Nesta quinta-feira (18), em declaração a jornalistas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentou que Meloni "está vivendo certo embaraço político com os agricultores italianos", mas será "capaz de convencê-los a aceitar o acordo":
— Ela pediu para que, se a gente tiver paciência, de uma semana, 10 dias, no máximo um mês, a Itália estará junto no acordo.
O país é considerado o "fiel da balança" para ratificar o acordo com o Mercosul no Conselho Europeu, última etapa antes da assinatura. Para ser aprovado na instituição que reúne os chefes de Estado e de governo dos 27 países da UE, o tratado precisa da validação de pelo menos 15 países que representem 65% da população da UE.
França e Itália somam cerca de 28% dos habitantes do bloco. Com apoio de outros países contrários ao pacto, como Polônia, Hungria e Áustria, deve ser o suficiente para barrar a parceria com os sul-americanos.
O acordo Mercosul-UE
Os primeiros contatos para a realização do acordo entre os blocos tiveram início em 1999. Houve anúncio com assinatura de termo em 2019, sem efeito prático. Em dezembro do ano passado, Mercosul e UE voltaram a apresentar novo desfecho positivo nas negociações, também sem qualquer consequência.
A proposta prevê, entre outras medidas, a redução e eliminação de tarifas para exportações e importações, com propósito de aumentar as trocas comerciais entre países.
*Colaborou João Pedro Cecchini


