
O petróleo sobe 2% nesta quarta-feira (17) com o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de bloqueio total a petroleiros da Venezuela. Isso significa incerteza sobre estoques globais, apesar da dúvida sobre a efetividade da barreira. A medida inverte a trajetória de queda dos últimos dias, permitida pela perspectiva de avanço nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.
Depois de sucessivos ataques à Venezuela atribuídos à contenção do tráfico de drogas, a nova medida de Trump escancara sua agenda: a questão real é o acesso ao maior depósito de petróleo do planeta. Estão do país governado pelo autocrata Nicolás Maduro 303 bilhões de barris em reservas provadas, ou seja, sobre as quais não há dúvida.
No entanto, a produção venezuelana atual mal passa de 1% do total global, com vendas concentradas em Cuba, pequenas refinarias chineses e... EUA, por sua vez maior produtor global há mais de uma década. Essa condição foi permitida pela descoberta do shale oil (petróleo de xisto). Então, por que Trump precisaria do óleo venezuelano?
Com seu mote "drill, baby, drill" (um apelo à perfuração, "drill" em inglês), Trump não manifesta apenas seu negacionismo climático. Também contempla o fato de que as melhores e mais produtivas áreas de produção de óleo de xisto atingiram sua maturidade, ou seja, tendem a estabilizar ou até reduzir a quantidade extraída.
O consumo crescente de combustíveis provoca necessidade de explorar áreas secundárias menos produtivas, portanto mais caras. Significa que a fase de muito petróleo obtido a baixo custo pode ter data de validade próxima em termos históricos. E que até o petróleo venezuelano, mais "pesado" – exige mais refino para ser transformado em gasolina, logo tem custo maior – pode se tornar viável economicamente no médio prazo diante desse quadro.

