
O ano de 2025 ganhou espaço na sala de troféus da bolsa de valores brasileira (B3). Contrariando todas as projeções – seria um ano de choque de juro, portanto aplicar em renda fixa seria melhor negócio do que comprar ações –, o principal índice, o Ibovespa, subiu 33,9% e bateu recorde 32 vezes no ano que terminou nesta terça-feira (30) no mercado financeiro. Segundo levantamento de Einar Rivero, sócio-fundador da consultoria Elos Ayta, o indicador atingiu seu melhor desempenho desde 2016, quando avançou de 38,9%.
A bolsa saiu de 120,1 mil para 164,4 mil pontos, atual recorde nominal (veja detalhes abaixo), depois recuou sem perder o patamar de 160 mil pontos. Na última sessão de 2025, registrou alta de 0,4% e fechou em 161,1 mil pontos. Se os valores fossem atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a máxima real do Ibovespa seria de 192 mil pontos, alcançada em 2008.
O bom humor na bolsa brasileira se apoiou principalmente na entrada de investidores estrangeiros em busca do diferencial de juros – 15% no Brasil e 3,75% nos EUA neste final de ano. Além disso, as ações nacionais estavam baratas, o que significa que havia muito espaço para se valorizarem.
Quem acionou a alavanca para a bolsa brasileira avançar foi Donald Trump. O presidente dos EUA provocou tamanha incerteza que agentes financeiros chegaram a levantar dúvidas sobre os ativos americanos, como o dólar, que perdeu força neste ano. Houve, então, um movimento global do capital rumo a mercados emergentes, como o Brasil, em busca de melhores oportunidades.
Esse cenário externo mais favorável se somou a bons resultados de empresas em meio à desaceleração da economia brasileira. Além disso, três cortes no juro dos EUA redobraram a aposta em mercados emergentes. Quando a taxa básica diminui por lá, a atenção dos investidores se volta a ativos com rentabilidade superior fora dos EUA. Neste ano, parte dos recursos desembarcou no Brasil.
No final de 2025, a perspectiva de início do ciclo de afrouxamento monetário no país também contribuiu para impulsionar a bolsa local. Uma trava menor na atividade econômica tende a significar melhor desempenho de empresas no futuro. Ainda que o mercado não saiba quando o juro vai cair, só a expectativa de que isso ocorra puxou para cima ações na bolsa nacional.
*Sob supervisão da jornalista Marta Sfredo





